O Fruto e os Dons do Espirito Santo por Bruna Vieira elaborado em Dezembro de 2010

Introdução

Este é um trabalho de pesquisa a respeito do fruto e dos dons do Espírito Santo, que pela vontade de Deus e para a Sua Glória, são derramados sobre os crentes para sua santificação, edificação e crescimento, a fim de que se tornem semelhantes a Jesus. Trataremos do fruto e dos dons do espírito dando suas definições, bases Bíblicas e a função de cada um para a santificação, ou regeneração e exercício ministerial.

O Fruto do Espírito Santo

Paulo escrevendo aos gálatas no capítulo 5: 22,23 diz que o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. E que contra essas coisas não há lei. Assim, todas essas características, que tornam a vida cristã um atrativo incomparável, e que nos tornam semelhantes a Jesus, são fruto da operação do Espírito Santo.

Ele é a fonte dessas qualidades, que são inerentes e naturais ao caráter daqueles nos quais este Santo Espírito habita. O caráter de Cristo abundava tais características, pois era o mesmo, pleno do Espírito Santo. Sendo assim, o Fruto do Espírito Santo é a expressão da natureza e do caráter de Cristo através do crente.

Os aspectos do fruto:

Em I Coríntios 13, Paulo fala do caminho mais excelente: O Amor. Sem o amor, nada se aproveitaria. Portanto, este é o maior aspecto do Fruto do Espírito Santo, dele depende todo o resto.

O Amor gerado pelo Espírito Santo não se aplica apenas aos irmãos, mas aos homens em geral; não é um sentimento impulsivo, não surge naturalmente e não depende da reciprocidade; quem ama com esse tipo de amor está sempre em busca do bem geral, sem com isso, prejudicar a ninguém.

Os aspectos a seguir são consequências do Amor.

  • Alegria: o amor nos leva a obedecê-lo, e ao obedecer a Deus nos alegramos, nos regozijamos; a palavra ‘gozo’ (do Gr. chara) significa “alegria”, “deleite”, “delícia”.
  • Paz: o amor que nos faz repousar; a palavra ‘paz’ (do Gr. eirene) está presente em quase todo o Novo Testamente e seu sentido abrange harmonia nas relações entre homens e nações, a amizade, a ausência de incômodo ou segurança, ordem no Estado e na Igreja, a harmonia na relação entre Deus e o homem por meio do evangelho, e a conseqüente sensação de descanso e satisfação. A paz também é descrita na Bíblia (Hb 12:11) como fruto da justiça, pelo fato de ser esta paz produzida em comunhão com Deus Pai, mediante a sua disciplina.
  • Longanimidade: o amor que nos faz tolerar; Longanimidade, “makrothumia” (do grego), denota “paciência, indulgência, clemência, resignação, longanimidade”. a formação desta palavra se constitui de “makros”, “longo” e “thumos”, “temperamento”, ou seja, ser de temperamento longo. Tem o sentido de suportar, tolerar. É ter domínio próprio diante da provocação, seja ela curta ou prolongada. É o oposto da raiva, e está diretamente associada à misericórdia. É a qualidade daquele que não se deixa levar pelas circunstâncias ou provações, mas tem esperança.
  • Benignidade: o amor que nos faz ser compassivo, amáveis e gentis; a palavra benignidade também vem do grego “chrestotes” e é usada para se referir à bondade de coração, à generosidade e à afabilidade.
  • Bondade: o amor que nos faz agir; a palavra grega “chrestotes” se repete aqui, referindo-se à generosidade de coração. Esta aplicação não se dá em ser meramente bom ou benigno, mas em ter atitudes assim, expressar essas qualidades em ações, em graça, ternura e compaixão. Não para ser reconhecido como tal, mas simplesmente por ser cheio do Espírito Santo.
  • Fidelidade: o amor que nos faz permanecer; a palavra “pistis” (grego) aqui é usada para se referir à fidedignidade, fidelidade e lealdade (c.f Mt 23:23; Rm 3:3; Tt 2:10).
  • Mansidão: o amor que nos faz suportar; esta qualificação está associada com o termo grego “enkrateia”, que denota “temperança, autocontrole, autodomínio”.
  • Temperança: o amor que nos faz ter controle e domínio próprio; em gl 5:22 é usada a palavra “enkrateia”, derivada de “kratos”, é o poder de controlar a vontade sob a operação do Espírito de Deus.

O fruto é produzido no interior do homem a partir do momento em que o Espírito Santo tem liberdade de agir na sua vida. Ao ser salvo, o homem entra num processo de regeneração pelo Espírito Santo, que passa a desenvolver neste homem o Seu fruto.

É um processo de dentro para fora e progressivo, às vezes lento. A maturidade do Fruto do Espírito se desenvolve num processo de santificação contínuo e infindo, até a morte. O Fruto é a testificação da nossa salvação. Pelo fruto o mundo conhece que somos salvos, pois demonstra a santidade.

O Fruto é único, e esse único fruto tem muitos aspectos, como citado acima, faltando, entretanto, um aspecto sequer, estará faltando o fruto, pois eles não são desenvolvidos no cristão separadamente, como sendo vários frutos, mas simultaneamente, pois é um só. Onde o Espírito Santo habita, aí há todas essa características.

Os Dons do Espírito Santo

Com base em 1Co 12, os dons do Espírito Santo são: a Palavra da Sabedoria; a Palavra do Conhecimento; a Fé; Dons de Curar; Operações de milagres; Profecia; Discernimento de espíritos; Línguas; Interpretação de Línguas; Socorros; Governos; Ministério; Ensinar e Exortar (Rm 12:7). A fonte, assim como o é do fruto, é o Espírito Santo. Todo dom perfeito vem de Deus, o Pai das luzes. Muitos são os dons, como vimos, mas um só é o Deus, o Espírito que os opera segundo a Sua perfeita vontade, cada dom em cada crente.

Os Dons são concedidos ao cristão mediante a fé e a busca zelosa deles, e têm por finalidade a edificação espiritual do crente e da Igreja, o crescimento dos santos em amor e a paz. Todo salvo tem pelo menos um dom. Isto se trata às vezes de uma aptidão natural, manifestada ministerialmente pelo Espírito; ou de um talento desenvolvido durante a vida do crente; ou de algo sobrenatural entregue por Deus ao crente, mas todos os dons servem, em primeiro lugar, para a glorificação de Deus.

Os dons de Revelação ou de Saber

Os dons deste grupo capacitam o homem cheio do espírito Santo a saber o sobrenatural, algo que naturalmente não se poderia conhecer, através do poder do Espírito de Deus e de acordo com a vontade soberana de Deus, para a glória do seu Nome.

1. A Palavra da Sabedoria

Trata-se da revelação sobrenatural da mente, vontade e propósitos do Senhor, é uma fração da ilimitada Sabedoria divina, revelada ao homem. A Bíblia, por exemplo, foi dada através desse dom a cada um dos homens inspirados por Deus para escrever.

Sabedoria vem do grego “Sophia”, e se aplica a sabedoria humana nas coisas espirituais. Deus manifesta a Sua Sabedoria no homem na esfera do conhecimento, da pregação, do ensino da Palavra, do governo da Igreja de Cristo, dos conselhos e orientações, da escolha de obreiros, da administração da própria vida, por meio da prudência. O dom da sabedoria é a aplicação prática do dom da Ciência, que pode ser considerado como uma parte teórica.

Uma característica fundamental deste dom, é que ele é o regulador dos demais dons (Pv 4:7). Tg 3:17 explicita a excelência da sabedoria divina revelada ao homem.

2. A Palavra do Conhecimento

O termo “gnõsis” denota no Novo Testamento o conhecimento, sobretudo da verdade espiritual, usado acerca do conhecimento de Deus (Rm11:33) e da palavra do conhecimento (1co 12:8). As visões, sonhos e revelações vêm por meio desse dom.

3. Discernimento de espíritos

Trata-se de discernir entre espíritos divinos e malignos. O substantivo grego utilizado é “diakrisis” refere-se à distinção, discriminação clara, discernimento, julgamento, acerca dos espíritos, saber pelas evidências se são malignos ou de Deus.

Os dons de Poder

Pela virtude do Espírito Santo o homem é capacitado a agir sobrenaturalmente. O Poder de Deus manifesta-se para a confirmação do Evangelho. Estes sinais acompanharão aos que crerem e testemunharão a autoridade divina da Palavra.

4. A Fé

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.” (Hb 11: 1-3). O dom da fé provê ao seu possuidor a confiança da operação divina nas mais diversas ocasiões (Dn 3:16-18). Trata-se de ter uma conduta inspirada pela entrega pessoal ao próprio Deus, e não a suas obras ou promessas.

5. Dons de Cura

A palavra grega “iama”, aqui empregada, significa primeiramente “meio de cura”, “cura”, e pode ser aplicada a tratamentos físicos, espirituais ou ambos. Em 1Co 12:9,28,30 a palavra é usada no plural, do que pode se entender a denotação de vários tipos de cura. Este dom abrange a área do corpo e da mente, e pode operar mediante a imposição das mãos (Mc 16: 18c); mediante uma palavra de ordem (Lc 7:7-10); na presença do doente; por objetos (At 19:12), e por muitos outros meios guiados pela fé. A efetiva operação deste dom depende não somente da fé, mas de Deus, pois os dons estão submetidos ao Propósito divino. Uma pessoa que tem esse dom pode não ter sucesso em determinados doentes, e não é porque o doente não tem fé, mas porque Deus tem um propósito na doença que não é a cura, talvez, pelo menos não naquele momento.

6. A operação de Milagres

A palavra ‘milagre’ tem o sentido de “poder, habilidade inerente”, e é usada acerca de feitos de origem e caráter sobrenaturais, visto que não podem ser produzidos pelos agentes e meios naturais. São manifestações extraordinárias do Poder de Deus, como atos criativos, juízos, ressurreição, intervenção nas leis físicas da natureza, entre outros. A execução deste dom se revela por Deus, diretamente (Gn 19:24), de anjos (Jo 5:4), ou de homens, como se vê em toda a Bíblia, por exemplo, Moisés em muitas ocasiões.

Os dons de Inspiração ou de expressão verbal

Expressam a mensagem de Deus por meio da fala, de forma sobrenatural. É uma ação especial de Deus através do Espírito Santo em uma pessoa santificada, de modo que esta fala somente o que Deus quer. Estes dons terão fim ao término da presente era, quando, então, o conhecimento e o caráter do crente se tornarão perfeitos na eternidade, depois da segunda vinda de Cristo.

7. A Profecia

A palavra grega aqui utilizada, “propheteia”, significa “a declaração da mente e do conselho de Deus”. É a descrição antecipada da vontade de Deus, quer com referência ao passado, presente ou futuro. O dom profético trata-se do controle do Espírito Santo sobre a fala do profeta, sem, no entanto, que ele perca a lucidez ou deixe de ter consciência do que está falando. Pode tratar-se também do anúncio dos dons da Sabedoria, do Conhecimento e do Discernimento, pela pregação ou ensino profético (João Batista é um exemplo), por visões e sonhos proféticos, por meio da oração, por cânticos espirituais, e variadamente conforme a Vontade Soberana de Deus. A profecia é um dom de muita evidência (1Co 14:1), pois através deste dom os outros ganham notoriedade. É pela profecia que se expressam os dons de revelação. A profecia tem sempre o objetivo final de exortar, consolar e edificar (1co 14:3).

8. Variedade de línguas

O uso do dom de línguas deve ser feito nas igrejas, em conjunto com a interpretação. Seu objetivo supremo de vê ser sempre a edificação da igreja, e por isso deve estar sempre junto com o dom a seguir. O mesmo que fala em línguas pode interpretar (1Co 14:13), ou também pode ser outra pessoa. Nem todos os crentes batizados no Espírito Santo recebem este dom. Trata-se de falar em línguas estranhas. No seio da igreja só é um dom útil quando há interpretação, quando não, serve para a edificação do Espírito (1Co 14:1-5), pois fala o homem com Deus. As línguas servem como sinal para os incrédulos (1Co 14:22), e não para os crentes.

9. A Interpretação de línguas

Esta interpretação significa “interpretar completamente, explicar”. É um dom que revela o poder, a riqueza, a soberania e a sabedoria de Deus. Este dom torna o dom citado anteriormente comparável a profecia, fazendo com que as línguas estranhas interpretadas edifiquem a Igreja. Este dom faz frutificar a língua desconhecida para o entendimento do homem (ver 1Co 14:13,14), de modo que sem um intérprete as línguas estranhas não devem ser faladas no meio da igreja(1 Co 14:27,28).

Muitos dons operam conjuntamente, por exemplo, para expulsar um demônio exercemos o dom de discernimento de espíritos e o dom da fé. Os dons são dádivas irrevogáveis (Rm 11:29), mas devem ser buscados pelo cristão com zelo (1co 12:31). Os dons estão intrinsecamente ligados aos ministérios da vida cristã. Os dons dinamizam, dão força e notoriedade aos ministérios que se distribuem no seio da Igreja do Senhor. Assim como são diversificados os ministérios (Ef 4:11-13), são diversificados os dons, como vimos acima. E apesar de podermos, como cristãos, procurar com zelo os melhores dons, cabe a Deus, por meio do Espírito Santo, o poder de concedê-los a nós. Ele o faz segundo a sua vontade. O crescimento espantoso da igreja primitiva foi caracterizado pela variedade de dons e ministérios, e assim é na vida de qualquer cristão. À medida que se desenvolvem os dons do Espírito, cresce o ministério dado por Ele mesmo no homem.

Conclusão

Num âmbito conclusivo é importante entender algumas diferenças entre os Dons e o fruto do Espírito Santo na vida dos cristãos. O dom é recebido em nós, o fruto é produzido em nós; o dom vem do alto, o fruto do interior; o dom vem completo, o fruto se desenvolve pela santificação; o dom é uma dotação de poder de Deus, o fruto é uma expressão do caráter de Cristo; os dons revelam características especiais, o fruto revela santidade; os dons, buscamos, os frutos são produzidos naturalmente pelo Espírito; os dons são distintos e divisíveis, o fruto é único, com nove aspectos, não divisíveis. Por fim, o capítulo 13 de 1º Coríntios nos fala do dom e do fruto excelente. O Amor, sem o qual, tudo o que foi visto aqui se anula na incompetência natural de uma humanidade decaída. Não há atuação do Espírito se não houver Amor. Onde atua o Deus verdadeiro, ali habita o amor verdadeiro, e conseqüentemente o fruto e os dons do Seu Espírito Santo. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, porém o maior destes é o amor (1Co 13:13).

Bibliografia

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Estudo Bíblico: Os dons e o fruto do Espírito Santo. Feito por Pr. Sérgio Alves e Pr. Anésio. São Paulo.

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SANTOS, Enéias Manoel dos. Lições bíblicas – revista oficial das escolas bíblicas da Igreja Adventista da Promessa. Editora voz do cenáculo:São Paulo, 1987.

VINE, W.E.; UNGER, Merril F. & WHITE, William Jr. Dicionário Vine. CPAD: Rio de Janeiro, 2009.

CUNHA, Guilhermino. O dom, os dons e o fruto do Espírito. Disponível em:Santowww.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/..I../o_dom.pdf. Acessado em 01/12/2010.

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