Monarquia de Israel

INTRODUÇÃO

Falar-se-á sobre a monarquia unificada, a monarquia dividida e suas capitais e eventos extra-bíblicos.

Quanto à instituição da monarquia, de forma introdutória, é importante salientar que quando os anciãos israelitas pedem um rei ao juiz e profeta Samuel, há três razões para tal pedido:

1.      A corrupção e depravação dos filhos de Samuel, Abias e Joel, que foram constituídos juízes em Israel;

2.      O próprio desejo da nação de se enquadrarem no padrão de governo das outras nações circunvizinhas;

3.      Para a nação de Israel existia a necessidade de se ter um comandante militar que guiasse o povo na execução de suas guerras.

É bem verdade que se encontra disposto na Lei mosaica acerca dos ditames peculiares a um rei (Dt 17:14,15), no entanto, Israel e os seus anciãos erraram ao não reconhecerem YHWH como seu legítimo e verdadeiro Rei (1Sm 8:7; 12:12). De fato é inegável que era da vontade de Deus que Israel tivesse um rei (Gn 49:10; Nm 24:17; Dt 17:14-20). Entretanto, não era de seu anelo preceptivo divino que Israel obtivesse seu monarca da maneira como estava fazendo na ocasião errada e com motivos impróprios, mas mesmo assim Deus permite o estabelecimento de um rei.

Na monarquia unificada contamos os seguintes reis: Saul, Davi, Absalão e Salomão.

Na monarquia dividida contamos os seguintes reis: Isbosete “Esbaal” (c. 1020 -1017, neste período ocorre a primeira divisão do reino, na qual a tribo de Benjamim e o restante de Israel continuam sob o domínio da linhagem real de Saul), Davi (Davi foi o único rei israelita que governou tanto num reino dividido, quanto no reino unificado. Os primeiros dois anos de seu reinado foram apenas sob a tribo de Judá.);

Reino do Norte (Israel): Jeroboão I, Nadabe, Baasa, Elá, Zinri, Onri (Tibni e Onri), Acabe, Acazias, Jorão, Jeú, Jeoacaz, Jeoás, Jeroboão II, Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías, Peca e Oseias.

Reino do Sul (Judá): Roboão, Abias, Asa, Josafá, Jeorão, Jeoacaz (Acazias), Atalia, filha de Onri (descendente da casa de Acabe), Joás, Amazias, Azarias (Uzias), Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés, Amom, Josias, Jeoacaz, Jeoaquim (Eliaquim), Joaquim e Zedequias (Matanias).

A INSTITUIÇÃO DA MONARQUIA

MONARQUIA UNIFICADA:

SAUL: embora na inscrição bíblica no livro dos juízes relate a história de Abimeleque, o filho de Jerubaal (Gideão), na qual consta que este foi estabelecido como rei e dominou por três anos sobre Israel (Jz 9:6,22), e possamos considerá-lo como o primeiro rei da nação, o seu domínio não se enquadra no período de monarquia, então Saul é considerado o primeiro rei neste período.

Fisicamente o primeiro monarca seguia uma ideologia de governante advinda dos juízes, Saul era forte, alto e de boa aparência, um ícone no meio do povo. Mesmo que Saul, como nos mostra a Bíblia sagrada, fizesse parte de uma família de pouca expressão e não fosse muito conhecido, nos aspectos fisiológicos, era tudo que a nação poderia desejar. Pode-se notar que quando depreciado pelos filhos de Belial, ele demonstrou qualidades no seu caráter, uma vez que se fez de surdo para o que eles diziam, e mesmo depois quando teve a oportunidade de exterminá-los não consentiu no desejo do povo de os matar.

O rei Saul se destacou pelas guerras que efetuou, pela formação de um exército organizado, por ter estabelecido a primeira capital de governo (Gibeá). Infelizmente, no desenvolvimento do seu governo, Saul denotou algumas falhas cruciais que foram determinantes para a deposição de sua dinastia, quando lhe foi ordenado aguardar, pelo profeta Samuel, precipitadamente desobedeceu e ofereceu sacrifícios, algo que não era de seu encargo; quando ordenado a exterminar os amalequitas, em desconformidade à palavra profética, poupou o melhor das ovelhas e dos bois e deixou vivo o rei Agague; irascível, quando por causa de um voto imprudente, quase matou seu próprio filho, Jonatas, que foi salvo pelo povo, que impediu Saul de matá-lo; por fim Deus permitiu que fosse atormentado por espíritos malignos, invejoso, tentou por inúmeras vezes matar Davi (seu genro), exterminou com uma cidade de sacerdotes, e consultou uma médium necromante. Seu fim se deu naquilo que ele mais se destacou, a saber, numa batalha na qual Israel foi derrotado, Saul e seu filho Jonatas morreram.

PRIMEIRA DIVISÃO NO REINO:

BENJAMIM E ISRAEL

ISBOSETE (ESBAAL): Com a morte de Saul e de Jonatas, Abner, o comandante do exército de Saul, estabeleceu Isbosete da linhagem real de Benjamim como rei sobre Israel. Isbosete governou por apenas dois anos, e seu reinado demonstra o desejo de alguns do povo em rejeitar a ordenança real do próprio Deus, que saíra da linhagem de Saul e passara ao descendente de Jessé. A Bíblia não relata muitos feitos deste rei, mas pode-se notar que valendo-se do exército que Saul formou, efetuou guerra contra Judá. A decadência de seu governo tem início num desentendimento entre ele e o seu capitão, o qual fez aliança com Davi, a fim de fazê-lo rei sobre todo o Israel. Neste ínterim, no entanto, Abner é morto por Joabe e numa conspiração Isbosete é morto por seus próprios servos.

JUDÁ

DAVI: O filho de Jessé da tribo de Judá, ungido rei por Samuel, quando ainda era pastor de ovelhas na casa de seu pai, antes de cegar ao poder passou por um período de cerca de dez anos onde de pastor passou para harpista do rei, escudeiro, chefe militar e guerreiro, e então severamente perseguido pelo rei Saul. Quando na morte de Saul e seu filho a tribo de Judá o ungiu rei na cidade de Hebrom (a capital dos primeiros sete anos de governo de Davi). Nestes dois anos de reino dividido a maior informação que temos é a própria questão de transição de dinastia real, onde parte do povo seguia a família real benjamita, e apenas a tribo de Judá estava do lado de Davi. Na batalha contra o exército de Abner, o exército de Davi comandado por Joabe e os valentes prevaleceu. Como término desta primeira divisão no reino, tendo Isbosete morto e se valendo da própria aliança que Abner fizera consigo, todo o povo unge Davi rei em Hebrom.

MONARQUIA UNIFICADA

DAVI: Depois dos dois anos de divisão no reino Davi ainda governa sobre toda a nação de Israel na capital Hebrom por mais cinco anos, perfazendo um numero total de sete anos governando em Hebrom e em seguida mais trinta e três anos na capital Jerusalém, tendo em vista a conquista de Jebus, na direção do comandante Joabe e o exército de Davi, que passou a ser a capital de Israel, vindo a se chamar a Cidade de Davi (Jerusalém, Sião, Ariel).

Davi era um verdadeiro militar, um conquistador. O seu período de governo foi no qual ocorreu mais guerras e mais conquistas de território. Foi Davi quem construiu um novo Tabernáculo em Jerusalém para a Arca da Aliança. Algo marcante na vida de Davi foi que mesmo sendo rei e um militar ele não abandonou a sua função de adorador e no seu domínio ele valorizou o ministério levítico e intentou construir um grande templo para nele colocar a Arca e ali oficiarem os sacerdotes, mas foi impedido pelo próprio Deus através do profeta Natã, pois Davi tinha nas mãos o sangue inocente de Urias, o qual ele matou depois de haver possuído sua mulher Bate-Seba. Todavia outras construções tiveram destaque no reino de Davi, certamente a mais importante delas foi a construção da cidade de Jerusalém e o Tabernáculo.

Este monarca que efetuou inúmeras guerras concedeu a Israel um vasto território de domínio e muitas nações traziam tributo a Jerusalém. Mas Como paga por seu pecado contra Urias, além da morte de seu filho com Bate-Seba, Davi experimentou um terrível desequilíbrio na sua família, a saber, Amnon, seu filho, possuiu sua própria irmã Tamar, e depois por causa disso Absalão, outro filho do rei mata seu irmão Amnon. Como cumprimento da palavra do profeta que a espada não se apartaria da casa de Davi.

ABSALÃO COMO REI

ABSALÃO: O filho de Davi que conspirou contra seu pai e reinou sobre Israel, depondo por um espaço de tempo Davi do trono (estando este com uma parte do povo no deserto). Absalão além de sua dissolução em manter relações sexuais com as concubinas de Davi à vista de todo o povo fez guerra contra o exército de Davi estabelecendo Amasa como o comandante do seu exército, batalha na qual foi derrotado e morto por Joabe. Pode-se destacar uma construção efetuada por ele, uma coluna com seu nome.

Depois deste contratempo Davi retoma o poder da nação, permanecendo assim até a sua morte passando o reino em paz para Salomão.

SALOMÃO: depois de uma pequena disputa pelo reino de Israel contra o seu irmão Adonias, Salomão se firmou como o novo monarca sucessor de Davi. O princípio de seu reinado se destacou por uma série de mortes que seguiam a determinação deixada por seu pai. O maior legado que Davi passara às mãos de Salomão foi a planta para a construção de um templo ao Senhor, construção que teve seu início por volta de 967 a.C e concluída sete anos depois. A Bíblia descreve que Salomão amava ao Senhor e andava fielmente nos caminhos de Davi seu pai, por isso o Senhor lhe apareceu e lhe permitiu fazer um pedido especial. Então Salomão sabiamente pede ao Senhor entendimento para governar aquela tão grande nação. Por isso o Senhor o honrou concedendo-lhe tão grande sabedoria, entendimento e inteligência, que este se tornou o homem mais sábio da terra de todos os tempos, e também lhe concedeu muita glória e riqueza, a qual nunca antes e nem depois teve em Israel. O governo de Salomão se destacou nas suntuosas construções, no vasto comércio e na mui grande riqueza. A Bíblia chega a mencionar que no tempo de Salomão a prata não possuía estima, por tão grande quantidade que havia de ouro, não só na casa real, mas em todo o povo, porque através de Salomão Deus fez prosperar toda a nação. Todavia Salomão foi contra os ditames que Deus havia prescrito em sua Lei, ajuntando excessiva quantidade de ouro e cavalos, acumulando para si muitíssimas mulheres (eram 300 mulheres princesas e 700 concubinas) onde muitas eram de nações das quais Deus disse que os filhos de Israel não deveriam se relacionar, porque amando-as elas corromperiam o coração do povo, e assim ocorreu, Salomão na sua velhice se corrompeu ao ponto de construir no território israelita altares e templos para adoração a outros deuses, dando ouvidos às suas mulheres, e ele mesmo adorou aos deuses de outras nações, portanto no final do seu reinado Deus levantou inimigos que guerrearam contra Salomão e mediante a profecia de Aías, Deus disse que dividiria o reino de Israel por causa dos pecados de Salomão, mas manteria a sua aliança estabelecida com Davi, de que não faltaria descendente para se assentar no trono de Davi.

DIVISÃO DO REINO

REINO DO SUL (JUDÁ)

ROBOÃO: coma morte de Salomão sobe ao poder Roboão seu filho que na verdade não chegou a reinar na monarquia unificada, pois logo no princípio de seu reino, em c.931 a.C, ocorreu uma grande reunião entre o povo e seus representantes e a realeza, onde o povo suplicara ao novo rei alívio na sua dura servidão impetrada por Salomão. Após três dias como combinado Roboão retorna diante do povo com a determinação de que seria mais severo do que seu pai (resposta esta concedida com base nos conselhos dos jovens da realeza, contrapondo a posição dos antigos conselheiros reais que desejavam que Roboão atendesse à petição do povo). Portanto o povo se dividiu ficando apenas a tribo de Judá e Benjamim sob o domínio de Roboão, e o restante de Israel constituiu Jeroboão, o efraemita, como rei de Israel.

O tempo de Roboão como rei em Judá foi marcado por um declínio religioso, porque Judá edificou altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros e debaixo de todas as árvores e se estabeleceu na terra muitos prostitutos-cultuais. Subiu contra ele o rei Sisaque do Egito e tomou os tesouros da casa do Senhor e os tesouros da casa real. Também levou todos os escudos de ouro feitos por Salomão, os quais ele substituiu por escudos de bronze. Logo no início, quando na divisão do reino, Roboão intentou guerrear contra os desertores do reino, foi proibido pelo profeta Semaías, todavia, no decorrer do seu reino ocorreram várias guerras contra o reino do norte, que se encontrava sob o domínio de Jeroboão.

ABIAS: manteve o declínio espiritual ocorrido no tempo de Roboão. Derrotou Jeroboão na batalha, fez o que era mau aos olhos do Senhor e reinou por apenas três anos.

ASA: Fez o que era reto perante o Senhor e reinou quarenta e um anos em Jerusalém. Pôs termo à idolatria e fortaleceu o reino. Foi vitorioso na guerra contra Zera o etíope. Auxiliou Ben-Hadade I, contra Baasa, rei de Israel. Quando o profeta Hanani protestou contra o rei, foi preso. Asa morreu doente dos pés, no final de sua vida confiou nos médicos e não buscou ao Senhor.

JOSAFÁ: foi piedoso e buscou ao Senhor e, portanto, Deus lhe fez prosperar. Ele se afeiçoou com os reis do reino do norte, tanto que seu filho Jeorão casou-se com Atalia, filha de Onri, da casa de Acabe. Ele e Acabe juntaram-se em Ramote-Gileade na expedição contra a Síria. Josafá então é censurado por Jeú o vidente. Organizou um sistema de jurisprudência. Desfez a confederação dos seus inimigos (Moabe, Amom, Edom, etc.), no Vale da Bênção. Teve que abandonar a aliança naval que fizera com Acazias, porque Deus a isso desaprovou.

JEORÃO: fez o que era mau perante os olhos do Senhor. Reinou por oito anos. Andou nos caminhos dos da casa de Acabe. Em seu tempo Edom se revoltou, Jeorão caiu na idolatria, foi atacado pelos filisteus e pelos árabes. Quando no seu declínio religioso ele recebeu uma carta do profeta Elias, que dizia que por causa de seus pecados seria ele flagelado pelo Senhor e receberia uma grande enfermidade nas entranhas da qual morreria. Não recebeu honras na sua morte.

JEOACAZ (ACAZIAS): fez o que era mau diante dos olhos do Senhor e reinou apenas um ano em Jerusalém. Fez uma aliança fatal com Jorão, rei de Israel, contra os sírios. Tanto Acazias quanto Jorão são assassinados em Jezrriel por Jeú.

ATALIA (descendente da casa de Acabe, filha de Onri): esta mulher, mãe de Acazias, usurpou o trono de Judá por seis anos. Foi morta por Joiada.

JOÁS: é colocado no trono por Joiada na idade de sete anos. Restaurou o templo, mas depois da morte do sacerdote, abandonou YHWH. Zacarias, filho de Joiada protestou contra o pecado e foi assassinado no pátio do templo. No seu tempo ocorreu uma incursão dos sírios. Por fim foi assassinado numa conspiração de seus próprios servos.

AMAZIAS: tomou a soldo as tropas de Israel, mas seguindo o conselho de um profeta, mandou-as embora. Reconquistou Edom, mas caiu na idolatria deste povo. Provocou uma guerra, mas foi derrotado e depois assassinado.

UZIAS (AZARIAS): principia bem o seu reinado sob a influência do profeta Zacarias; desenvolve os recursos do país, fortifica Jerusalém e os postos avançados do território judaico; apodera-se de uma vantajosa fortificação em Elate; foi chamado de amigo da agricultura; e já quase no fim do seu reinado usurpa o lugar de sacerdote sendo ferido de lepra. Por isso ficou isolado e Jotão seu filho governa como príncipe regente atá a morte do seu pai.

JOTÃO: pouco se sabe acerca de Jotão, mas a descrição bíblica mostra ter sido um bom rei que manteve e forma de governo estabelecida por Uzias, e em toda a sua vida fez o que era reto perante o Senhor, apenas ocorreu de que os altos não se tiraram e o povo ainda sacrificava e queimava incenso neles. Em seu tempo também se levantou guerra por parte de Rezim, rei da Síria, e Peca, rei de Israel.

ACAZ: foi um rei ímpio e negligente ao ponto de queimar seu próprio filho como sacrifício, segundo as abominações dos gentios, sendo derrotado pelas forças aliadas da Síria e Israel, solicita o auxílio da Assíria, mas é levado a renunciar a proteção assíria pelos fortes protestos de Isaías. Os prisioneiros de guerra que se achavam em Samaria são mandados por Peca para Judá a pedido de Odede, o Profeta.

EZEQUIAS: foi um rei profundamente religioso e os negócios de seu reino se houve prosperamente o décimo quarto ano do seu reinado o país foi invadido por Sargão. Ezequias fez aquedutos e trouxe água canalizada para dentro da cidade de Davi. Adoentou-se mortalmente, mas foi restabelecido mediante uma promessa de receber mais quinze anos de vida. Houve campanha de Senaqueribe contra Judá, mas pela atuação divina ocorreu repentina destruição do seu exército. A embaixada de Merodauqe Baladã, rei de Babilônia, conheceu as riquezas de Judá, e Isaias profetiza o cativeiro.

MANASSÉS: por volta de 697 a.C. Manassés restabelece a idolatria, persegue os adoradores de YHWH. Ocorrem protestos inúteis dos profetas contra o pecado (neste período está situado a tradição do martírio de Isaías). Esar-Hadom, rei assírio, prende Manassés, que é deportado para a Babilônia, converte-se e é reintegrado no seu posto real.

AMOM: foi extremamente ímpio em todo o seu período de governo. Morreu numa conspiração de seus servos.

JOSIAS: foi extremamente piedoso, tomou medidas contra a idolatria; efetuou a restauração do templo; encontrou o livro da Lei e consultou e seguiu os conselhos de Hulda, a profetiza. realizou mui grande celebração da páscoa. Seu período contou com os profetas Jeremias, Sofonias e Habacuque. O rei Josias foi morto na batalha de Megido por Neco, e muito lamentado pela nação.

JEOACAZ (SALUM): filho de Josias reinou durante três meses em c. 608 a.C.; deposto e aprisionado por Faraó Neco é lavado prisioneiro para o Egito, onde morreu. Jeoaquim ou Eliaquim, o filho mais velho de Josias é posto no trono por Neco e obrigado a pagar um certo tributo.

JEOAQUIM (ELIAQUIM): depois da batalha de Carquemis, o reino de Judá ficou sob o domínio de Babilônia. Daniel e seus companheiros neste período são levados para a Babilônia. Passados três anos o rei Jeoaquim quebrou o juramento da aliança resultando desse fato grandes perturbações.

JOAQUIM: filho de Jeoaquim reinou por apenas três meses, porque vindo Nabucodonosor à Jerusalém, foi por ele mandado cativo para a Babilônia, e no trono foi colocado Matanias.

ZEDEQUIAS (MATANIAS): este era filho de Josias e, portanto, tio de Joaquim. Mostrou-se fraco e pérfido, intrigando o Egito com Babilônia, a despeito das admoestações de Jeremias. Nebuzaradã, general de Nabucodonozor, depois de prolongado cerco, tomou Jerusalém, mandou matar muitos dos principais da cidade, e levou Zedequias em c. 587 a.C, já cego e preso com cadeias, para a Babilônia, dando esse fato cumprimento às predições de Jeremias (queda de Jerusalém em c.586ª.C.).

REINO DO NORTE (ISRAEL)

JEROBOÃO I: reinou sobre as dez tribos restantes de Israel; estabeleceu uma nova capital, que parece ter sido Siquém, e depois Tirza. Com medo de o povo passar para o lado de Judá, impediu a peregrinação do povo para Jerusalém nos dias festivos da nação. Fez dois bezerros e altares para os mesmos, um ficava localizado em Dã e outro em Betel. Para ministrarem a adoração a esses bezerros, Jeroboão constituiu sacerdotes que não eram da tribo de Levi. No seu tempo houve guerra constante contra Roboão.

NADABE: filho de Jeroboão reinou por dois anos em Tirza. Fez o que era mau perante os olhos do Senhor e numa conspiração foi morto por Baasa. Extingue-se então a dinastia de Jeroboão.

BAASA: descendente da tribo de Issacar sobe ao poder depois de uma conspiração e fez o que era mau perante os olhos do Senhor. Foi derrotado por Ben-Hadade I. Acusado por Jeú, o vidente. E depois de sua morte seu filho reinou em seu lugar.

ELÁ: reinou por apenas dois anos em Tirza, fez o que era mau aos olhos do Senhor e foi morto numa conspiração.

ZINRI: pouco fez em Israel e foi o que menos reinou dentre os reis, apenas sete dias. O que de mais grandioso ele efetuou Foi que quando sitiado pelo exército comandado por Onri, ele ateou fogo na casa real estando ele mesmo dentro dela, e morreu.

ONRI: tendo em vista sua vitória contra Zinri, e o fato de não ter mais a casa real em Tirza, que fora destruída pelo seu antecessor, foi de sua responsabilidade construir uma nova capital, comprou um monte de Semer e nele edificou a cidade de Samaria, que passou a ser a nova capital até o fim do reino do norte.

ACABE: filho de Onri casou com Jezabel, princesa de Sidom e introduziu o culto à Baal em Israel: neste tempo opôs-se-lhe o profeta Elias. Ben-Hadade II cerca Samaria, mas sendo duas vezes derrotado, por fim faz aliança com Acabe. Iniquamente se apropria da vinha de Nabote e é duramente reprovado. Acabe querendo conquistar os Sírios em Ramote-Gileade.

ACAZIAS: filho de Acabe. Com ele houve revolta de Moabe. Após cair por entre umas grades, adoeceu gravemente e morreu; neste tempo Elias é levado ao céu.

JORÃO: por Acazias não ter filhos, Jorão, outro filho de Acabe, assume o trono em Samaria. Em seu tempo manteve-se contínua a guerra contra Moabe. Em seu período ocorreram vários milagres de Eliseu, o profeta. Samaria foi cercada por Ben-Hadade, mas recebeu divino livramento repentino. Jorão manteve-se nos pecados religiosos de Jeroboão, mas não adorou a Baal, como a casa de seu pai. Foi ferido depois numa batalha contra os sírios; retira-se para Jezreel, e aí é assassinado por Jeú.

JEÚ: era o general do exército de Jorão, foi ungido rei por um dos discípulos dos profetas. Matou Jezabel e os filhos de Acabe, e os adoradores de Baal.

JEOACAZ: filho de Jeú efetuou guerras desastrosas com Hasael e Ben-Hadade.

JEOÁS: NO SEU TEMPO MORRE O PROFETA ELISEU. Ben-Hadade III é três vezes derrotado por ele. Houve vitórias sobre Amazias de Judá.

JEROBOÃO II: foi um homem irreligioso, mas um rei próspero. Reclamou o território conquistado pela Síria, de conformidade com a palavra do profeta Jonas; e estendeu o seu reino em muitas direções, abrangendo também Damasco e Hamate. Provavelmente no seu reinado ocorreu o ministério do profeta Joel, Oséias e Amós.

ZACARIAS: conforme fora profetizado, assim acontecera, este rei foi o último da linhagem de Jeú, a quarta geração de reis. É assassinado numa conspiração por Salum. Reinou apenas seis meses em Israel.

SALUM: reinou por apenas um mês. Pouco se sabe acerca dele, foi assassinado numa conspiração efetuada por Menaém.

MENAÉM: reinou dez anos em Israel, fez o que era mau perante os olhos do Senhor. Desenvolveu o reino tributário à Assíria. Morreu e seu filho subiu ao trono.

PECAÍAS: reinou por apenas dois anos, se manteve idólatra como os seus antecessores e foi assassinado por seu próprio capitão Peca.

PECA: reinou por vinte anos em Samaria, e no seu reino ocorreu a deportação de parte do reino do norte por Tglate-Pileser, rei da Assíria, que tomou as cidades de Ijom, Abel-Bete-Maaca, Janoa, Quedes, Hasor, Gileade e a Galiléia, e toda a terra de Naftali, levando os seus habitantes para a Assíria. Oséias conspirou contra Peca e o matou.

OSÉIAS: foi atacado por Salmaneser e feito seu tributário; suspendando o tributo, e estando a negociar secretamente com o Egito, é aprisionado pelo monarca assírio. Samaria é cercada e tomada e sua população totalmente deportada para a Assíria (queda de Samaria em c. 722 a.C.).

Reino Unido

Reino Unido Tempo de reinado  

(em anos)

Data Profetas  

(1050 – 950)

Samuel, Saul, Davi, Natã, Gade, Zadoque, Asafe, Hemã, Jedutum, Ido e Aías

Saul 40 1050 – 1010
Davi 40 1010 – 970
Salomão 40 970 – 931

Reino Dividido

Reis de Judá Tempo de reinado  

(em anos)

Data Profetas 

Ido (950-900)

Aías

Semaías     c. 900

Azarias

Hanani

Jaaziel (873 -848)

Eliezer

Obadias c. 850

Joel (850-800)

Zacarias (835-796) Certo profeta(796 -767)

Oséias

Isaías

Esposa       c. 750

de Isaías

Miquéias

Naum c. 650

Sofonias

Jeremias

Hulda             c. 600

Habacuque

Daniel

Ezequiel (600-550)

Roboão 17 931 – 913
Abias 3 913 – 911
Asa 41 911 – 870
Josafá 25 873 – 848
Jeorão 8 848 – 841
Acazias 1 841
Atalia (rainha) 7 841 – 835
Joás 40 835 – 796
Amaizas 29 796 – 767
Uzias 52 792 – 740
Jotão 16 750 – 731
Acaz 16 735 – 715
Ezequias 29 729 – 686
Manassés 55 696 – 642
Amom 2 642 – 640
Josias 31 640 – 609
Jeoacaz 3 meses 609
Jeoaquim 11 608 – 598
Joaquim 3 meses 598 – 597
Zedequias 11 597 – 586

Reis de Israel Tempo de reinado  

(em anos)

Data Profetas 

Homem de Deus

(Profeta novo) c. 900

Jeú (900-850)

Elias

Eliseu         c. 850

Micaías

Certo profeta (874 – 853)

Um discípulo dos profetas (874 -853)

Amós

Jonas       c. 750

Odede

Jeroboão I 22 931 – 910
Nadabe 2 910 – 909
Baasa 24 909 – 886
Elá 2 886 – 885
Zinri 7 dias 885
Tibni 3 855 – 852
Onri 11 885 – 874
Acabe 22 874 – 853
Acazias 2 853 – 852
Jorão 12 852 – 841
Jeú 28 841 – 814
Jeoacaz 17 814 – 798
Jeoás 16 798 – 782
Jeroboão II 41 793 – 753
Zacarias 6 meses 753
Salum 1 mês 752
Menaém 10 752 – 742
Pecaías 2 742 – 740
Peca 20 752 – 732
Oséias 10 732 – 722

CONCLUSÃO

ANÁLISE DOS LIVROS QUE RELATAM O PERÍODO DE MONARQUIA:

I SAMUEL: este livro descreve a transição na liderança de Israel dos juízes para os reis. Três personagens se destacam nesse livro: Samuel, o último juiz e primeiro “profeta” (vidente); Saul, o primeiro rei no período de monarquia israelita; e Davi, o rei escolhido e ungido, mas ainda não reconhecido como sucessor de Saul. O autor de I Samuel é anônimo, mas a tradição judaica do Talmude diz que ele foi escrito por Samuel. É possível que ele tenha escrito a primeira parte do livro, mas o registro da sua morte em ISm 25:1 deixa claro que ele não escreveu o conteúdo total. Mas outros que provavelmente contribuíram para a compilação deste livro foram os profetas Natã e Gade.

II SAMUEL: este livro registra os destaques do reinado de Davi e traça a ascensão dele ao trono, seus pecados, e as terríveis conseqüências. Este livro provavelmente pode ter sido escrito com o auxílio dos profetas Natã, Gade e Ido.

I REIS: a primeira metade deste livro é um relato da vida de Salomão, sob sua liderança, Israel chega ao ápice de seu tamanho e glória. O autor é desconhecido, mas as evidências apóiam a tradição talmúdica de que fora escrito pelo profeta Jeremias.

II REIS: continua narrando o drama iniciado em I Reis: a trágica história de duas nações em rota de colisão com o cativeiro. O autor sistematicamente traça o caminho dos monarcas reinantes em Israel e Judá. Como acontece com o primeiro livro dos Reis a este também a tradição atribui sua autoria a Jeremias.

I CRÔNICAS: este livro cobre o mesmo período da história judaica descritas no livro de Samuel e Reis, mas sob outra perspectiva. Este livro não é uma mera repetição do material anterior, mas forma um editorial divino da história do povo. Apesar de o texto não identificar o autor, vários fatos parecem conceder arrimo à tradição do Talmude judaico de que o autor de Crônicas tenha sido o sacerdote Esdras.

II CRÔNICAS: este é paralelo à I e II Reis, mas simplesmente ignora Israel, o reino norte, por causa da sua falsa adoração e da recusa em reconhecer o templo de Jerusalém. Crônicas se concentra nos reis que pautaram suas vidas e reinos no exemplo deixado pelo piedoso rei Davi, dedicando maior especo a grandes reformadores como Asa, Josafé, Joás, Ezequias e Josias. O templo e a adoração promovida nele são assuntos centrais deste livro, mostrando que a adoração a Deus é importantíssima para o bom êxito da monarquia. Provavelmente como ocorre com I crônicas, seu autor foi Esdras.

BIBLIOGRAFIA

ANGUS, Joseph. História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. São Paulo: Hagnos, 2003.

Bíblia de Estudo das Profecias. Belo Horizonte e Barueri: Editora Atos e Sociedade Bíblica do Brasil, 2001.

LAWRENCE, Paul. Atlas Histórico e Geografico da Bíblia. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada: edição expandida. São Paulo: Mundo Cristão, Sociedade Bíblica do Brasil, 2007.

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