Teoria documentária

O Que é a hipótese documentária?

No século XVIII João Astruc publicou em Bruxelas uma obra na
qual os diversos nomes de Deus usados no Gênesis e nos seis primeiros capítulos
de Êxodo são objetos de “conjecturas” sobre “os documentos originais de que
parece ter-se aproveitado Moises”. Estas variações nos nomes de Deus sugeriam
uma distinção entre os documentos empregados. Segundo Astruc, havia
principalmente dois: o “Eloísta” e o “Javista” com algumas seções subordinadas
e não classificadas. Essa idéia foi seguida por Eichhorn, Ilgen e outros antes
do fim do século, e por um grande número de críticos do século XIX, sendo os
principais Kuenen e Wellhausen. Um grande número de literatura apareceu sobre o
assunto. A autoria mosaica passou a ser contestada e hoje é negada por muitos
críticos, enquanto que a hipótese de vários documentos usados já não é mais
limitada ao Gênesis e ao Êxodo mas também aos outros livros do Pentateuco  e posteriormente a Josué. Diversas teorias a
respeito da composição do Pentateuco se têm sucedido umas às outras. À hipótese
“documentária” seguiu-se à “fragmentária”, e quando essa última foi
universalmente desacreditada, uma teoria “suplementar tomou o seu lugar. Em
suma, não têm fim as conclusões a que se chega no terreno da crítica.

Que tipo de auxílio a
arqueologia trouxe para confrontar e neutralizar este documento?

A hipótese documentária se baseia em alguns argumentos que
facilmente se desfazem, e ainda mais frente às descobertas arqueológicas como
algumas que citaremos em breve. Uma das sustentações desta hipótese era que a
arte de escrever e da composição literária não estavam suficientemente
desenvolvidas no tempo de Moisés para que se produzisse uma obra como o
Pentateuco. A Arqueologia, entretanto, trouxe à tona as lâminas de Tel
el-Amarna, descobertas em 1887 que forneceu inscrições pertencentes
aproximadamente ao século XV a.C. Inscrições babilônicas ainda mais antigas, do
reinado de Hamurabi, mostram que a escrita e a literatura existiam no tempo de
Abraão. Séculos antes de Moisés este rei prumulgou o que conhecemos como Código
de Hamurabi, um código de leis que se tornou um dos monumentos mais notáveis da
antiguidade, até agora. Com o descorrer dos anos os achados arqueológicos se
multiplicam, as pesquisas se aprofundam e cada vez mais hipóteses fúteis como
estas perdem sua credibilidade.

Quais são as
conseqüências de aderir a hipótese documentária?

Ao se elaborar uma teoria desse porte, as implicações da
mesma vão muito além de conjecturas, esclarecimentos e provas da verdade. As
conseqüências de se dar credibilidade a algo assim dizem respeito à duvida
relacionada a origem. O que verdadeiramente está em jogo é a origem
sobrenatural da Lei. A investigação literária se torna apenas um disfarce ao
ataque à origem divina dessa dispensação. Pois se o nome de Moisés fosse usado
ficticiamente na Lei, o que corre perigo é a crença na sua inspiração.

Fonte: ANGUS, Joseph. História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. São Paulo: Hagnos, 2003

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