O Fruto e os Dons do Espirito Santo por Bruna Vieira elaborado em Dezembro de 2010

Introdução

Este é um trabalho de pesquisa a respeito do fruto e dos dons do Espírito Santo, que pela vontade de Deus e para a Sua Glória, são derramados sobre os crentes para sua santificação, edificação e crescimento, a fim de que se tornem semelhantes a Jesus. Trataremos do fruto e dos dons do espírito dando suas definições, bases Bíblicas e a função de cada um para a santificação, ou regeneração e exercício ministerial.

O Fruto do Espírito Santo

Paulo escrevendo aos gálatas no capítulo 5: 22,23 diz que o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. E que contra essas coisas não há lei. Assim, todas essas características, que tornam a vida cristã um atrativo incomparável, e que nos tornam semelhantes a Jesus, são fruto da operação do Espírito Santo.

Ele é a fonte dessas qualidades, que são inerentes e naturais ao caráter daqueles nos quais este Santo Espírito habita. O caráter de Cristo abundava tais características, pois era o mesmo, pleno do Espírito Santo. Sendo assim, o Fruto do Espírito Santo é a expressão da natureza e do caráter de Cristo através do crente.

Os aspectos do fruto:

Em I Coríntios 13, Paulo fala do caminho mais excelente: O Amor. Sem o amor, nada se aproveitaria. Portanto, este é o maior aspecto do Fruto do Espírito Santo, dele depende todo o resto.

O Amor gerado pelo Espírito Santo não se aplica apenas aos irmãos, mas aos homens em geral; não é um sentimento impulsivo, não surge naturalmente e não depende da reciprocidade; quem ama com esse tipo de amor está sempre em busca do bem geral, sem com isso, prejudicar a ninguém.

Os aspectos a seguir são consequências do Amor.

  • Alegria: o amor nos leva a obedecê-lo, e ao obedecer a Deus nos alegramos, nos regozijamos; a palavra ‘gozo’ (do Gr. chara) significa “alegria”, “deleite”, “delícia”.
  • Paz: o amor que nos faz repousar; a palavra ‘paz’ (do Gr. eirene) está presente em quase todo o Novo Testamente e seu sentido abrange harmonia nas relações entre homens e nações, a amizade, a ausência de incômodo ou segurança, ordem no Estado e na Igreja, a harmonia na relação entre Deus e o homem por meio do evangelho, e a conseqüente sensação de descanso e satisfação. A paz também é descrita na Bíblia (Hb 12:11) como fruto da justiça, pelo fato de ser esta paz produzida em comunhão com Deus Pai, mediante a sua disciplina.
  • Longanimidade: o amor que nos faz tolerar; Longanimidade, “makrothumia” (do grego), denota “paciência, indulgência, clemência, resignação, longanimidade”. a formação desta palavra se constitui de “makros”, “longo” e “thumos”, “temperamento”, ou seja, ser de temperamento longo. Tem o sentido de suportar, tolerar. É ter domínio próprio diante da provocação, seja ela curta ou prolongada. É o oposto da raiva, e está diretamente associada à misericórdia. É a qualidade daquele que não se deixa levar pelas circunstâncias ou provações, mas tem esperança.
  • Benignidade: o amor que nos faz ser compassivo, amáveis e gentis; a palavra benignidade também vem do grego “chrestotes” e é usada para se referir à bondade de coração, à generosidade e à afabilidade.
  • Bondade: o amor que nos faz agir; a palavra grega “chrestotes” se repete aqui, referindo-se à generosidade de coração. Esta aplicação não se dá em ser meramente bom ou benigno, mas em ter atitudes assim, expressar essas qualidades em ações, em graça, ternura e compaixão. Não para ser reconhecido como tal, mas simplesmente por ser cheio do Espírito Santo.
  • Fidelidade: o amor que nos faz permanecer; a palavra “pistis” (grego) aqui é usada para se referir à fidedignidade, fidelidade e lealdade (c.f Mt 23:23; Rm 3:3; Tt 2:10).
  • Mansidão: o amor que nos faz suportar; esta qualificação está associada com o termo grego “enkrateia”, que denota “temperança, autocontrole, autodomínio”.
  • Temperança: o amor que nos faz ter controle e domínio próprio; em gl 5:22 é usada a palavra “enkrateia”, derivada de “kratos”, é o poder de controlar a vontade sob a operação do Espírito de Deus.

O fruto é produzido no interior do homem a partir do momento em que o Espírito Santo tem liberdade de agir na sua vida. Ao ser salvo, o homem entra num processo de regeneração pelo Espírito Santo, que passa a desenvolver neste homem o Seu fruto.

É um processo de dentro para fora e progressivo, às vezes lento. A maturidade do Fruto do Espírito se desenvolve num processo de santificação contínuo e infindo, até a morte. O Fruto é a testificação da nossa salvação. Pelo fruto o mundo conhece que somos salvos, pois demonstra a santidade.

O Fruto é único, e esse único fruto tem muitos aspectos, como citado acima, faltando, entretanto, um aspecto sequer, estará faltando o fruto, pois eles não são desenvolvidos no cristão separadamente, como sendo vários frutos, mas simultaneamente, pois é um só. Onde o Espírito Santo habita, aí há todas essa características.

Os Dons do Espírito Santo

Com base em 1Co 12, os dons do Espírito Santo são: a Palavra da Sabedoria; a Palavra do Conhecimento; a Fé; Dons de Curar; Operações de milagres; Profecia; Discernimento de espíritos; Línguas; Interpretação de Línguas; Socorros; Governos; Ministério; Ensinar e Exortar (Rm 12:7). A fonte, assim como o é do fruto, é o Espírito Santo. Todo dom perfeito vem de Deus, o Pai das luzes. Muitos são os dons, como vimos, mas um só é o Deus, o Espírito que os opera segundo a Sua perfeita vontade, cada dom em cada crente.

Os Dons são concedidos ao cristão mediante a fé e a busca zelosa deles, e têm por finalidade a edificação espiritual do crente e da Igreja, o crescimento dos santos em amor e a paz. Todo salvo tem pelo menos um dom. Isto se trata às vezes de uma aptidão natural, manifestada ministerialmente pelo Espírito; ou de um talento desenvolvido durante a vida do crente; ou de algo sobrenatural entregue por Deus ao crente, mas todos os dons servem, em primeiro lugar, para a glorificação de Deus.

Os dons de Revelação ou de Saber

Os dons deste grupo capacitam o homem cheio do espírito Santo a saber o sobrenatural, algo que naturalmente não se poderia conhecer, através do poder do Espírito de Deus e de acordo com a vontade soberana de Deus, para a glória do seu Nome.

1. A Palavra da Sabedoria

Trata-se da revelação sobrenatural da mente, vontade e propósitos do Senhor, é uma fração da ilimitada Sabedoria divina, revelada ao homem. A Bíblia, por exemplo, foi dada através desse dom a cada um dos homens inspirados por Deus para escrever.

Sabedoria vem do grego “Sophia”, e se aplica a sabedoria humana nas coisas espirituais. Deus manifesta a Sua Sabedoria no homem na esfera do conhecimento, da pregação, do ensino da Palavra, do governo da Igreja de Cristo, dos conselhos e orientações, da escolha de obreiros, da administração da própria vida, por meio da prudência. O dom da sabedoria é a aplicação prática do dom da Ciência, que pode ser considerado como uma parte teórica.

Uma característica fundamental deste dom, é que ele é o regulador dos demais dons (Pv 4:7). Tg 3:17 explicita a excelência da sabedoria divina revelada ao homem.

2. A Palavra do Conhecimento

O termo “gnõsis” denota no Novo Testamento o conhecimento, sobretudo da verdade espiritual, usado acerca do conhecimento de Deus (Rm11:33) e da palavra do conhecimento (1co 12:8). As visões, sonhos e revelações vêm por meio desse dom.

3. Discernimento de espíritos

Trata-se de discernir entre espíritos divinos e malignos. O substantivo grego utilizado é “diakrisis” refere-se à distinção, discriminação clara, discernimento, julgamento, acerca dos espíritos, saber pelas evidências se são malignos ou de Deus.

Os dons de Poder

Pela virtude do Espírito Santo o homem é capacitado a agir sobrenaturalmente. O Poder de Deus manifesta-se para a confirmação do Evangelho. Estes sinais acompanharão aos que crerem e testemunharão a autoridade divina da Palavra.

4. A Fé

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.” (Hb 11: 1-3). O dom da fé provê ao seu possuidor a confiança da operação divina nas mais diversas ocasiões (Dn 3:16-18). Trata-se de ter uma conduta inspirada pela entrega pessoal ao próprio Deus, e não a suas obras ou promessas.

5. Dons de Cura

A palavra grega “iama”, aqui empregada, significa primeiramente “meio de cura”, “cura”, e pode ser aplicada a tratamentos físicos, espirituais ou ambos. Em 1Co 12:9,28,30 a palavra é usada no plural, do que pode se entender a denotação de vários tipos de cura. Este dom abrange a área do corpo e da mente, e pode operar mediante a imposição das mãos (Mc 16: 18c); mediante uma palavra de ordem (Lc 7:7-10); na presença do doente; por objetos (At 19:12), e por muitos outros meios guiados pela fé. A efetiva operação deste dom depende não somente da fé, mas de Deus, pois os dons estão submetidos ao Propósito divino. Uma pessoa que tem esse dom pode não ter sucesso em determinados doentes, e não é porque o doente não tem fé, mas porque Deus tem um propósito na doença que não é a cura, talvez, pelo menos não naquele momento.

6. A operação de Milagres

A palavra ‘milagre’ tem o sentido de “poder, habilidade inerente”, e é usada acerca de feitos de origem e caráter sobrenaturais, visto que não podem ser produzidos pelos agentes e meios naturais. São manifestações extraordinárias do Poder de Deus, como atos criativos, juízos, ressurreição, intervenção nas leis físicas da natureza, entre outros. A execução deste dom se revela por Deus, diretamente (Gn 19:24), de anjos (Jo 5:4), ou de homens, como se vê em toda a Bíblia, por exemplo, Moisés em muitas ocasiões.

Os dons de Inspiração ou de expressão verbal

Expressam a mensagem de Deus por meio da fala, de forma sobrenatural. É uma ação especial de Deus através do Espírito Santo em uma pessoa santificada, de modo que esta fala somente o que Deus quer. Estes dons terão fim ao término da presente era, quando, então, o conhecimento e o caráter do crente se tornarão perfeitos na eternidade, depois da segunda vinda de Cristo.

7. A Profecia

A palavra grega aqui utilizada, “propheteia”, significa “a declaração da mente e do conselho de Deus”. É a descrição antecipada da vontade de Deus, quer com referência ao passado, presente ou futuro. O dom profético trata-se do controle do Espírito Santo sobre a fala do profeta, sem, no entanto, que ele perca a lucidez ou deixe de ter consciência do que está falando. Pode tratar-se também do anúncio dos dons da Sabedoria, do Conhecimento e do Discernimento, pela pregação ou ensino profético (João Batista é um exemplo), por visões e sonhos proféticos, por meio da oração, por cânticos espirituais, e variadamente conforme a Vontade Soberana de Deus. A profecia é um dom de muita evidência (1Co 14:1), pois através deste dom os outros ganham notoriedade. É pela profecia que se expressam os dons de revelação. A profecia tem sempre o objetivo final de exortar, consolar e edificar (1co 14:3).

8. Variedade de línguas

O uso do dom de línguas deve ser feito nas igrejas, em conjunto com a interpretação. Seu objetivo supremo de vê ser sempre a edificação da igreja, e por isso deve estar sempre junto com o dom a seguir. O mesmo que fala em línguas pode interpretar (1Co 14:13), ou também pode ser outra pessoa. Nem todos os crentes batizados no Espírito Santo recebem este dom. Trata-se de falar em línguas estranhas. No seio da igreja só é um dom útil quando há interpretação, quando não, serve para a edificação do Espírito (1Co 14:1-5), pois fala o homem com Deus. As línguas servem como sinal para os incrédulos (1Co 14:22), e não para os crentes.

9. A Interpretação de línguas

Esta interpretação significa “interpretar completamente, explicar”. É um dom que revela o poder, a riqueza, a soberania e a sabedoria de Deus. Este dom torna o dom citado anteriormente comparável a profecia, fazendo com que as línguas estranhas interpretadas edifiquem a Igreja. Este dom faz frutificar a língua desconhecida para o entendimento do homem (ver 1Co 14:13,14), de modo que sem um intérprete as línguas estranhas não devem ser faladas no meio da igreja(1 Co 14:27,28).

Muitos dons operam conjuntamente, por exemplo, para expulsar um demônio exercemos o dom de discernimento de espíritos e o dom da fé. Os dons são dádivas irrevogáveis (Rm 11:29), mas devem ser buscados pelo cristão com zelo (1co 12:31). Os dons estão intrinsecamente ligados aos ministérios da vida cristã. Os dons dinamizam, dão força e notoriedade aos ministérios que se distribuem no seio da Igreja do Senhor. Assim como são diversificados os ministérios (Ef 4:11-13), são diversificados os dons, como vimos acima. E apesar de podermos, como cristãos, procurar com zelo os melhores dons, cabe a Deus, por meio do Espírito Santo, o poder de concedê-los a nós. Ele o faz segundo a sua vontade. O crescimento espantoso da igreja primitiva foi caracterizado pela variedade de dons e ministérios, e assim é na vida de qualquer cristão. À medida que se desenvolvem os dons do Espírito, cresce o ministério dado por Ele mesmo no homem.

Conclusão

Num âmbito conclusivo é importante entender algumas diferenças entre os Dons e o fruto do Espírito Santo na vida dos cristãos. O dom é recebido em nós, o fruto é produzido em nós; o dom vem do alto, o fruto do interior; o dom vem completo, o fruto se desenvolve pela santificação; o dom é uma dotação de poder de Deus, o fruto é uma expressão do caráter de Cristo; os dons revelam características especiais, o fruto revela santidade; os dons, buscamos, os frutos são produzidos naturalmente pelo Espírito; os dons são distintos e divisíveis, o fruto é único, com nove aspectos, não divisíveis. Por fim, o capítulo 13 de 1º Coríntios nos fala do dom e do fruto excelente. O Amor, sem o qual, tudo o que foi visto aqui se anula na incompetência natural de uma humanidade decaída. Não há atuação do Espírito se não houver Amor. Onde atua o Deus verdadeiro, ali habita o amor verdadeiro, e conseqüentemente o fruto e os dons do Seu Espírito Santo. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, porém o maior destes é o amor (1Co 13:13).

Bibliografia

BANCROFT, Emery H. Teologia Elementar. Editora Batista Regular: São Paulo, 2006.

Estudo Bíblico: Os dons e o fruto do Espírito Santo. Feito por Pr. Sérgio Alves e Pr. Anésio. São Paulo.

Revista e atualizada. Bíblia de Estudo da Mulher. Editora Atos: Minas Gerais, 2005.

SANTOS, Enéias Manoel dos. Lições bíblicas – revista oficial das escolas bíblicas da Igreja Adventista da Promessa. Editora voz do cenáculo:São Paulo, 1987.

VINE, W.E.; UNGER, Merril F. & WHITE, William Jr. Dicionário Vine. CPAD: Rio de Janeiro, 2009.

CUNHA, Guilhermino. O dom, os dons e o fruto do Espírito. Disponível em:Santowww.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/..I../o_dom.pdf. Acessado em 01/12/2010.

Igreja Primitiva

A Igreja Primitiva

por Jonathas P. Vieira

INTRODUÇÃO

Neste trabalho será tratado brevemente acerca do primeiro período da história da Igreja Antiga: A Igreja Apostólica ou Igreja Primitiva. Nesta fase da Igreja o âmbito em que os relatos históricos mais se focam é quanto ao ambiente em que o cristianismo nasceu, suas bases na vida, morte e ressurreição de Cristo e sua fundação por meio da intervenção divina do Espírito Santo no dia chamado de Pentecostes. Outro assunto também referente a este período é quanto ao crescimento gradual do Cristianismo inicialmente ainda apegado a alguns rudimentos do judaísmo, que conferiram à Igreja uma reputação de seita judaica, até enfim chegar a uma ruptura definitiva.

O LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

– O DESENVOVIMENTO DA IGREJA PRIMITIVA –

 

Este é o livro do Novo Testamento de autoria do médico amado Lucas. Neste podemos encontrar a descrição canônica acerca do desenvolvimento da Igreja Primitiva desde o dia de Pentecostes em c. 28 – 33 d.C. até a prisão domiciliar do apóstolo Paulo em Roma, em c. 60 – 62 d.C.

 

FUNDAÇÃO DA IGREJA EM JERUSALÉM

 

Em concordância com o escritor Lucas havia reunido um grupo inicial de 120 seguidores de Jesus no quinquagésimo dia após a Páscoa. E vemos que neste dia pela atuação do Espírito Santo ocorreu um evento sobrenatural, pois Deus ali capacitou os apóstolos para efetuarem obras miraculosas a fim de testificarem acerca da veracidade do evangelho do Reino iniciado por Jesus. O desenvolvimento do Cristianismo foi excepcional, pois no primeiro dia já quase três mil pessoas aceitaram a mensagem do Evangelho e foram batizadas, agregando-se ao Cristianismo.

Conforme a Igreja foi crescendo assim também gradativamente aumentou a oposição. O sumo sacerdote e outros líderes judaicos se tornaram algozes opositores da Igreja, por vezes encerrando os apóstolos em prisões, ordenando-lhes castigos e sobrecarregando-lhes de advertências, culminando então numa acirrada perseguição após o estopim do assassinato por apedrejamento do diácono Estêvão. Todavia as oposições e perseguições surtiram um efeito de expansão do Cristianismo, descentralizando-o de Jerusalém.

 

SAMARIA

 

Depois da dispersão provocada pela perseguição o diácono Filipe pregou sobre Cristo numa cidade em Samaria e em seguida Pedro e João foram para lá enviados a fim de confirmarem aqueles que haviam recebido a palavra pregada por Filipe e ministrar sobre eles a unção do Espírito Santo.

 

MENSAGEM DO EVANGELHO AO POVO GENTIO

 

Pedro, o primeiro a pregar o evangelho aos judeus, foi também, oficialmente, o primeiro a levar o evangelho aos gentios. Após receber de Deus uma visão, Pedro foi à casa de Cornélio, o centurião romano, e ali pregou o evangelho de Cristo. E sobre os que ali estavam houve a manifestação do Espírito Santo. Fato que o fez entender resolutamente que o evangelho da graça se estendia também aos gentios.

 

CONTATO COM A ÁFRICA    

 

Mediante os registros de Atos, vemos o diácono Filipe levando a mensagem de Salvação a um encarregado do tesouro de Candace, a rainha da região do Alto Nilo, conhecida como Etiópia, mais precisamente ao Norte do atual Sudão. O eunuco que se dirigia para o seu território após um período de adoração em Jerusalém acolheu a mensagem pregada por Filipe e logo de imediato foi batizado.

SAULO X PAULO

 

O principal perseguidor da Igreja neste período foi Saulo. Ele era um homem de Tarso que estudou em Jerusalém com Gamaliel, o rabino mais renomado do século I. Ele obteve carta de autorização do sumo sacerdote para perseguir e apreender os seguidores de Jesus em Damasco. Foi na estrada para Damasco que Saulo teve um encontro com o Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Filho de Deus ressurreto, e teve sua vida transformada para sempre. Após ouvir os esclarecimentos de Ananias e ser curado de sua cegueira temporária, acatou a mensagem evangélica e imediatamente foi batizado. Após esta fase de conversão, o novo discípulo, que posteriormente passou a ser chamado de Paulo, se deparou com certa desconfiança por parte dos cristãos, tendo até que fugir de Damasco regressando a Jerusalém, onde também encontrou resistência e desconfiança por parte dos discípulos. Todavia Barnabé, que também foi reconhecido como apóstolo, assumiu a causa do discípulo Paulo, conferindo-lhe um voto de confiança e apresentando-o aos apóstolos e discípulos. Depois Saulo retorna para Cilícia, sua terra natal.

 

DENOMINADOS DE CRISTÃOS

 

Como resultado da dispersão os perseguidos foram até a Fenícia, Chipre a Antioquia, levando a mensagem de Jesus a outros judeus. E outros também foram a Antioquia e começaram a pregar também a gregos e gentios. Com isso muitos judeus e gentios de Antioquia creram e passaram a seguir o Senhor Jesus. Quando tal notícia chegou a Igreja em Jerusalém Barnabé foi enviado a fim de investigar a situação dos irmãos em Antioquia, e depois o apóstolo Barnabé se propôs a trazer Paulo que se encontrava em Tarso a fim de ter um auxiliador em seu ministério. Juntos ficaram cerca de um ano em Antioquia ensinando a muitos. Foi justamente senta cidade que os discípulos foram chamados pela primeira vez de cristãos. Após este tempo de ministério em Antioquia aos apóstolos Barnabé e Paulo foram incumbidos de levar uma oferta em dinheiro para os irmãos da Judéia.

 

RITUAIS JUDAICOS X CRISTIANISMO

 

O apóstolo Pedro foi um dos que também saíram de Jerusalém e em vários territórios anunciou o evangelho de Cristo, corroborando com ele os sinais prometidos pelo Senhor Jesus. Ele passou em cidades como Lida e Jope. Nestas missões Deus trabalhara no caráter deste apóstolo pra lhe mostrar a diferença da tradição judaica em face do evangelho de Jesus Cristo, vide sua estadia na casa de um certo curtidor chamado Simão. A questão de os ritos judaicos possuírem significativa influência na comunidade cristã foi um fator de muitos embates e divergências de opiniões, gerando grande controvérsia, por exemplo: “os cristãos gentios do sexo masculino terem de ser circuncidados” como ocorria no judaísmo, e muitas outras questões semelhantes a esta. Por fim em 49 d.C. um concílio de apóstolos e presbíteros se reuniram em Jerusalém com o intuito de delinear uma resolução quanto a este assunto. Chegou-se então a um consenso de que, tendo em vista a salvação se dar por meio da fé em Cristo, os cristãos gentios não precisavam observar os rituais da Lei Mosaica. Este foi um marco crucial de um verdadeiro princípio que diferenciou o cristianismo primitivo das suas origens no judaísmo, permitindo ao Cristianismo estabelecer raízes em comunidades gentias. Tal fato é evidenciado no ministério de Paulo, o apóstolo dos gentios, em seus combates contra os cristãos judaizantes e judeus disfarçados de cristãos, que tentavam deturpar a pureza e simplicidade do ensino da mensagem de Cisto de Salvação por meio da Fé e da Graça.

 

APÓSTOLOS X PAIS APOSTÓLICOS

 

Abaixo segue-se descrito o que a tradição nos informa acerca da morte dos Apóstolos da igreja primitiva: Simão Pedro, André, Tiago, João (o discípulo amado), Filipe, Bartolomeu (Natanael), Levi Mateus, Tiago, Simão, Judas Tadeu, Tomé Dídimo, Matias, Tiago(irmão do Senhor) filho de José, Paulo e Barnabé.

ANDRÉ – O lugar do seu martírio foi em Acaia (província romana que, com a Macedônia, formava a Grécia). Diz a tradição que ele foi amarrado a uma cruz em forma de xis (não foi pregado) para que seu sofrimento se prolongasse.

BARTOLOMEU (Natanael) – Foi esfolado vivo e crucificado de cabeça para baixo. Outros dizem que teria sido golpeado até a morte.

FILIPE – Diz-se que pregou na Frigia e morreu como mártir em Hierápolis.

JOÃO – Teve morte natural com idade de 100 anos.

JUDAS TADEU – Diz a tradição que pregou o Evangelho na Mesopotâmia, Edessa, Arábia, Síria e também na Pérsia, onde foi martirizado juntamente com Simão, o Zelote.

MATEUS (Levi) – Há várias versões sobre a sua morte. Teria morrido como mártir na Etiópia.

MATIAS – Teria sido martirizado na Etiópia.

PAULO – Segundo a tradição, decapitado em Roma, nos tempos de Nero, no ano 67 ou 70.

SIMÃO PEDRO (Cefas) – Segundo a tradição, sua crucificação verificou-se entre os anos 64 e 67, em Roma, por ordem de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por achar-se indigno de morrer na mesma posição de Cristo.

SIMÃO, o Zelote – Julga-se que morreu crucificado.

TIAGO, filho de Zebedeu – Por ordem de Herodes Agripa, foi preso e decapitado em Jerusalém, entre os anos 42 e 44.

TIAGO, filho de Alfeu – Segundo a tradição, martirizado provavelmente no ano 62.

TOMÉ DÍDIMO – Consta que seu martírio se deu por ordem do rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, no ano 53 da era cristã.

TIAGO, IRMÃO DO SENHOR – Foi morto em 62 d.C. O sumo sacerdote Ananus ben Ananus tirou vantagem da falta de controle imperial que ocorreu neste período, para reunir o Sinédrio condenando Tiago “sob acusação de ter violado a Lei” e logo o executou por apedrejamento.

JOSÉ BARNABÉ – Quando Barnabé foi à Síria e a Salamina pregando o evangelho, alguns judeus, tendo-se irritado com o seu extraordinário sucesso, caíram sobre ele quando estava pregando na sinagoga, arrastaram-no para fora e apedrejaram-no até a morte.

Uma vez que os apóstolos foram findando seus respectivos ministérios, novos líderes começaram a emergir, a fim de, concederem prosseguimento a instituição eclesiástica da igreja, tendo como foco a manutenção do verdadeiro evangelho de Cristo e a doutrina dos apóstolos. Esta fase de transição resultou em um aumento significativo de heresias tentando se infiltrar no cristianismo, teorias judaizantes, vãs filosofias, e partidários defensores de uma fé científica, investindo seus empenhos para modelar a característica da Igreja aquém do que foi estipulado por Jesus e os apóstolos. Portanto, fez-se mister a presença dos chamados Pais Apostólicos, que também eram cognominados de apologistas, por causa do modo pelo qual expuseram suas idéias cristãs para preservar a integridade da fé evangélica. A seguir estão mensurados o ditos Pais Apostólicos de maior vulto no seio da igreja, que exerceram grande influência principalmente no momento derradeiro da igreja primitiva, mas continuando na fase seguinte – igreja Católica imperial (95 – c. 150): Clemente de Roma, Inácio, Policarpo, Pseudo-Barnabé e Papias.

 

O CULTO

A partir do dia de Pentecostes vê-se que o estilo de culto no período apostólico parecia ocorrer da seguinte forma:

Os cultos – Eram realizados diariamente, ao ar livre, nas casas dos convertidos, ou como a descrição bíblica nos permite afirmar que bem inicialmente o pórtico de Salomão foi usado para concentrar os convertidos e ali realizarem cultos. Comumente as comunidades cristãs faziam uso das canções que enalteciam Jesus Cristo como verdadeiro Deus.

Com o amadurecimento dos ideais cristãos a liturgia começou a se desenvolver, e o culto parece ter começado a ter a seguinte ordem: Era realizado no dia do sol (domingo), começava com a leitura das memórias dos apóstolos ou dos escritos dos profetas, uma exortação ou homilia acontecia baseada na leitura feita pelo que presidia a reunião; a comunidade de pé prestava oração a Deus, em seguida vinha a celebração da Ceia do Senhor e do beijo da paz, os elementos pão e vinho eram dedicados em ação de graças e oração e a comunidade respondia com um amém, os diáconos distribuíam então os elementos para as casas daqueles que não podiam ter estado na reunião. Por fim tirava-se uma coleta para ajudar as viúvas, os órfãos, os doentes, os prisioneiros e os estrangeiros. A reunião então se encerrava e todos voltavam para as suas casas. (extraído do Didaquê e da primeira apologia de Justino Mártir)

Batismo – A descrição bíblica nos mostra que após a pregação da Palavra imediatamente os convertidos eram conduzidos para o batismo nas águas como um selo de sua conversão.

Santa Ceia – Quanto a esta ordenança as opiniões se dividem. Para uns esta prática ocorria diariamente e, outros acreditam que esta prática era efetuada em alguns dias determinados, por exemplo, nos domingos. A carta do apóstolo Paulo aos coríntios nos permite entender que havia uma grande diferença quanto a realização da santa ceia naquele período para o de nossa era. Nesta santa ceia não se tinha apenas os dois elementos sagrados (vinho e pão), mas sim um grande banquete celebrado particularmente por várias famílias reunidas num determinado ambiente.

Conforme a Tradição cristã foi se desenvolvendo e a posição eclesiástica foi ganhando maior autoridade, estes sacramentos gradativamente foram envoltos de várias designações litúrgicas, incluindo a exclusividade da ministração destes sacramentos por parte desses líderes (bispos, presbíteros). Todavia, no princípio, todo aquele que era convertido e se dispunha a pregar o evangelho, podia também efetuar a ministração do batismo.

Escritura Sagrada – A fonte da pregação e do desenvolvimento da doutrina cristã partiu dos Escritos do Antigo Testamento, e indubitavelmente das informações diretas transmitidas pelos apóstolos acerca dos ensinos de Jesus.

Pregação – A igreja se caracterizou pela pregação ao ar livre em constantes investidas evangelísticas nas quais ocorriam intensa exposição da doutrina evangélica de Salvação por meio da Graça mediante os fundamentos da vida, morte e ressurreição de Cristo Jesus. Com a expansão do evangelho os apóstolos e evangelistas usaram da técnica de irem  nas sinagogas judaicas para que ao ser-lhes concedida a oportunidade (por serem judeus) esclarecerem as questões relacionadas ao Cristianismo e o pleno cumprimento das Escrituras na pessoa de Jesus. Noutras vezes pode se ver também um estilo de pregação em forma de estudos, por vezes muito longos.

Ofertório – Antes da instituição dos diáconos, pelo texto Sagrado deduz-se que inicialmente não se dedicava um período ou um momento específico no culto para a realização da coleta das contribuições, mas sim que as pessoas livremente vinham até os apóstolos e aos seus pés depositavam o que em seus corações propuseram oferecer, a fim de ser igualitariamente dividido entre os irmãos, tanto é que entre os cristãos não haviam pessoas passando necessidades, pois todos mutuamente se auxiliavam. Com o crescimento da Igreja se tornou necessário o estabelecimento democrático de pessoas que estariam responsáveis pela coleta, administração e dispensação correta dessas contribuições (os diáconos).

 

O GOVERNO DA IGREJA PRIMITIVA

 

A origem da administração eclesiástica deve ser creditada a Cristo Jesus, uma vez que foi Ele quem primordialmente estabeleceu doze apóstolos como líderes sobre os discípulos que passariam a ser então os líderes da igreja nascente. Por sua vez os apóstolos tomaram iniciativa de criarem outros cargos na igreja, sempre na direção do Espírito Santo e conforme a necessidade.

Os oficiais que se desenvolveram na igreja podem ser classificados em oficiais carismáticos e oficiais administrativos. Os oficiais carismáticos eram dotados de dons espirituais para exercerem funções do mesmo cunho. Suas principais responsabilidades eram a preservação da verdade do evangelho e sua proclamação inicial. Todavia, quanto aos oficiais administrativos, constituía uma classe cujas responsabilidades eram basicamente administrativas (área material da igreja). Eles eram democraticamente escolhidos, com o consenso de toda a igreja. Os apóstolos especificavam suas atribuições e os empossavam nos cargos depois de terem sido selecionados pela congregação. Diferentemente dos apóstolos e outros líderes carismáticos, esses homens, e , em alguns casos mulheres, operavam e exerciam sua autoridade na igreja e na sua congregação local, e não na Igreja de Cristo como um todo. Estes estavam divididos em uma organização tríplice: bispos, presbíteros e diáconos.

 

 

CONCLUSÃO

                O novo testamento não mostra onde vários dos apóstolos e demais líderes da igreja foram pregar. Todavia, conforme tradições posteriores tem-se a informação de que o apóstolo João passou seus últimos anos em Éfeso e o apóstolo Filipe, em Hierápolis na Turquia. As tradições relacionam os apóstolos Tomé e Bartolomeu à Índia.

A Bíblia Sagrada não revela de que modo ocorreu a expansão do cristianismo por todo Império Romano e além de suas fronteiras.

No entanto, uma análise simplória de Atos dos Apóstolos denota que a igreja apostólica (primitiva) enfrentou severos períodos de perseguição. Pedro se viu livre da prisão mediante intervenção divina; em 44 d.C., o apóstolo Tiago, filho de Zebedeu, foi executado por ordem de Herodes Agripa I, por exemplo.

Os primeiros cristãos tiveram que suportar sofrimentos e perseguições diversas, para isso foi-lhes necessário se revestirem de coragem e esperança em Cristo Jesus para enfrentar a morte. Ainda no período neotestamentário muitos cristãos foram martirizados, nada obstante essas informações não se encontrem no texto bíblico. Vide que em 64 d.C., quando grande parte de Roma foi destruída por um terrível incêndio, o imperador Nero acusou os cristãos por tal acontecimento. Portanto efetuou prisões em massa de cristãos, e mandou que alguns fossem crucificados, queimados ou cobertos com peles de animais selvagens e despedaçados por cães. Houve perseguição também no governo do imperador Domiciano (81 – 96 d.C.). O exílio do apóstolo João na ilha de Patmos ocorreu nesse período.

A perseguição aos cristãos perdurou no governo dos imperadores romanos dos séculos II e III d.C..

 

BIBLIOGRAFIA

 

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. Editora Vida Nova, São Paulo: 2008. 2ª ed.

 

LAWRENCE, Paul. Atlas Histórico e Geográfico da Bíblia. Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo: 2008.

 

http://www.renovado.hpg.ig.com.br/apostolos.htm

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ap%C3%B3stolos

Cativeiro babilônico

O cativeiro babilônico

por Jonathas P. Vieira

Introdução

 

Será abordado nesse trabalho o contexto histórico relacionado às quatro deportações que reduziram o reino do sul ao cativeiro de exílio na Babilônia, mostrando os reis do Império babilônico, períodos de seus respectivos governos até a queda da Babilônia; os personagens proeminentes no período de retorno a Jerusalém para a reconstrução do templo, para a instituição do culto, para a reconstrução da cidade e dos muros e o reassentamento da população judaica. Com relação ao cativeiro babilônico destacaremos quais foram os efeitos que ele engendrou na mentalidade dos israelitas.

O Exílio de Judá

 

            O falecimento do piedoso monarca de Judá, Josias, em 609 a.C. colocou termos derradeiros à reforma religiosa e, durante o reinado de seus filhos Salum e Jeoaquim, as práticas pagãs retornaram e novamente infiltraram-se no reino do sul. Em 605 a.C., Nabucodonosor derrotou o exército egípcio em Carquemis, junto ao Rio Eufrates (próximo à atual fronteira entre a Turquia e a Síria). Marchando para o sul, Nabucodonosor invadiu Judá e sitiou Jerusalém no terceiro ano do reinado de Jeoaquim (Eliaquim) (Dn 1:1), ocasião na qual chegou aos seus ouvidos a notícia de que seu pai havia morrido, então este resolve retornar à Babilônia, levando consigo os tesouros do Templo do Senhor e os tesouros da casa do rei e vários jovens da família real e da nobreza de Judá. Quatro destes jovens se mostraram valiosos conselheiros para o novo rei babilônico: Daniel (Beltessazar), Hananias (Sadraque), Misael (Mesaque) e Azarias (Abede-nego) (Dn 1). Essa foi a primeira e menor das quatro deportações efetuadas pela Babilônia em Judá.  Em 604 a.C. Jeoaquim se tornou vassalo de Nabucodonosor Rei da Babilônia (um ano depois da vitória em Carquemis), mas, motivado pelo governo egípcio, o rei de Judá se revoltou contra o domínio babilônico por volta de 601 a.C. Então em c. 598 a.C. Nabucodonosor executou medidas com relação à rebelião, ordenando que o rei Jeoaquim fosse preso em cadeia de bronze e levado à Babilônia. Jeoaquim, portanto, foi sucedido por seu filho Jeconias de dezoito anos de idade, que governou por apenas três meses, porque em 597 a.C., Nabucodonosor cercou Jerusalém e Jeconias se rendeu. Tendo Nabucodonosor sitiado a cidade e a tomado, prendeu seu rei e tomou para si vários despojos da cidade. Nesta, que foi a segunda deportação, Nabucodonosor transportou a toda Jerusalém, todos os príncipes, todos os homens valentes, todos os artífices e ferreiros, ao todo dez mil; ninguém ficou, senão o povo pobre da terra, transferiu também a Jeconias para a Babilônia; a mãe do rei, as mulheres deste, seus oficiais e os homens principais da terra, ele os levou cativos de Jerusalém à Babilônia (2Rs 24:10-17), e dentre os deportados estava um jovem aprendiz de sacerdote chamado Ezequiel.

O profeta Jeremias amaldiçoara a Jeconias declarando que seus descendentes não se assentariam no trono de Davi. Com a deportação deste rei para a Babilônia, Nabucodonosor colocou a Matanias, tio de Jeconias, para ocupar o trono de Judá e mudou seu nome para Zedequias, que foi ajuramentado a prestar-lhe lealdade. No entanto, anos mais tarde Matanias se rebelou contra o domínio babilônico. A Babilônia então reagiu violentamente. Nabucodonosor e seu exército cercou Jerusalém e no nono dia do quarto mês (18 de julho de 586 a.C.), a fome em Judá se tornou incomensurável, tal que o povo não tinha mais o que comer. O inimigo penetrou o muro da cidade e Zedequias e seu exército fugiram durante a noite, no entanto foram capturados. Zedequias foi levado à Ribla, na Síria, onde depois de testemunhar a morte de seus filhos, teve os seus olhos vazados, foi então deportado para a Babilônia preso em cadeias de bronze. Um mês depois que os babiblônios invadiram Jerusalém, no sétimo dia do quinto mês (14 de agosto de 586 a.C.), Nebuzaradã, comandante da guarda imperial, ateou fogo no Templo do Senhor, no palácio real e em todas as casas de Jerusalém e derribou seus muros. Nebuzaradã levou para o exílio o povo da cidade, deixando apenas os mais miseráveis da terra para cuidarem das vinhas e campos. Nessa terceira deportação a maior parte dos habitantes de Judá foi levada para a Babilônia. Gedalias foi constituído pelo domínio babilônico como governante da terra de Judá, entretanto pouco tempo depois de sua nomeação, este governante foi morto por Ismael. Muitos dos judeus restantes, incluindo Jeremias, fugiram para o Egito, nada obstante a advertência profética de Jeremias para que permanecessem em Judá. Portanto em c. 582 a.C. um outro grupo de judeus foi deportado para a Babilônia, constituindo-se assim como a quarta deportação, ficando a terra assolada e sem habitantes (Jr 52:30).

O Cativeiro: Os judeus na Babilônia

 

            Os judeus que sobreviveram à longa jornada para a Babilônia certamente foram colocados em assentamentos separados dos babilônios e receberam permissão de se dedicar à agricultura e trabalhar para sobreviver (Ez 3:15; Ed 2:59; 8:17; Jr 29:5), mas o trauma do exílio é expressado claramente pelo salmista: “às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fossemos alegres, dizendo: entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?(Sl 137:1-4)”. Nabucodonosor faleceu em 562 a.C. e Amel-Marduque (Evil-Merodaque), seu filho passou a reinar sobre o império Babilônico, foi ele quem libertou o rei Jeconias (Joaquim) da prisão e o permitiu comer à mesa do rei para o resto da vida. Evil-Merodaque dominou tão somente por dois anos (562 – 560 a.C.), foi assasssinado por seu antigo general e cunhado Neriglissar que dominou de 560 a 556 a.C. Após este reinado de quatro anos, Neriglissar morreu e subiu ao trono seu filho, Laborisoarcode (Labashi-Marduque) em 556 a.C. Este reinou por apenas nove meses e foi assassinado por Nabonido que com isso passou a ser o rei da Babilônia (556 – 539 a.C.), Nabonido provavelmente se casou com uma filha de Nabucodonosor. Ele nomeou seu filho, Bel-shar-usur (Belsazar) regente de Babilônia e partiu para Tema. Capturou Tema, exterminou grande parte dos habitantes e estabeleceu sua autoridade nesse local onde permaneceu dez anos, de 553 a 543 a.C. Enquanto Nabonido estava na Arábia (Tema), e Belsazar era rei (príncipe regente) em Babilônia, uma nova e grande potência mundial começou a se levantar, a saber, os medos e persas, sob o comando do imponente Ciro II, que vinham avançando para o norte acometendo o império babilônico. Em 547 a.C, Ciro derrotou Creso de Lídia e tomou sua capital, Sardes. Reconhecendo a forte ameaça medo-persa, Nabonido retornou para a Babilônia, todavia nada pode impedir a vitória desta nova potência e, no final do verão de 539 a.C, os persas atacaram. Ciro derrotou os exércitos da Babilônia em Opis.  No 14º dia de Tisri (10 de Outubro), Sipar foi capturada sem reagir e Nabonido fugiu. Na Babilônia, Belsazar não se sentiu ameaçado, pois julgara que os muros inexpugnáveis da cidade podiam resistir a vários anos de cerco. Num gesto desafiador, Belsazar pediu que lhe trouxessem as taças de ouro e prata do templo do Senhor em Jerusalém e, pouco depois, uma inscrição misteriosa apareceu na parede do palácio real: “MENE, MENE, TEQUEL E PARSIM”. Daniel, com cerca de oitenta anos de idade, aposentado de suas funções na corte, foi chamado para interpretar a mensagem. E a interpretação de Daniel foi “MENE: contou deus o teu reino e deu cabo dele. TEQUEL: pesado foste na balança e achado em falta. PERES: dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas” (Dn 5:26-28) – predição que se cumpriu de forma imediata. Naquela mesma noite, Belsazar foi morto, e Dario, o medo, foi constituído rei, pondo fim ao período do Império Babilônico.

Ciro, o grande dominador do novel império Medo-persa, tratou bem os babilônios, na verdade, ele procurou tratar com respeito todos os seus súditos leais, inclusive os judeus. Ciente da profecia de Jeremias, segundo a qual a desolação de Jerusalém duraria setenta anos, Daniel pediu a Deus para intervir (Dn 9:2,18b,19).

As orações de Daniel foram respondidas prontamente. Em 538 a.C., Ciro fez uma grande proclamação, registrada no final de 2 Crônicas: “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o senhor, seu Deus, seja com ele.” (2Cr 36:23; Ed 1:2-3a).

Cumpriu-se, desse modo, a predição feita pelo profeta Isaías a aproximadamente 160 anos antes acerca de Ciro, o ungido do Senhor (Is 44:28).

Comunidades judaicas no Cativeiro

            Os judeus na Babilônia desde o princípio se constituíram num povo à parte, e não demorou muito que eles mostrassem aos seus opressores que pertenciam a uma raça elevada e professavam uma religião superior. É provável que em certos lugares os judeus formaram pequenas comunidades, tendo os seus anciãos e o seu governo próprio, como aquela perto do rio Quebar nos dias de Ezequiel. Com o transcorrer dos dias no exílio, a idolatria que tenazmente assediava os judeus não mais tinha atração alguma para eles, na verdade engendrou um despertar antagônico com relação a isso, por suas associações de caráter nacional (Sl 137), bem como por suas profundas convicções, nascidas da grandeza e Divindade de sua antiga religião, que não podia se comparar com a dos babilônios, eles amavam intensamente o seu culto, sendo mais forte do que até aí tinha sido a crença de que YHWH era o Senhor de toda a terra.

Desta forma os judeus se transformaram em testemunhas do poder e amor do Deus YHWH perante os babilônios, e exerceram sobre aqueles com os quais mais conviviam uma forte influência moral. No cativeiro os seus princípios e crenças se consolidaram. O próprio fato de terem sido destituídos do Templo, altar e dos sacrifícios gerou neles uma retomada aos princípios fundamentais da fé judaica. Por este motivo foram formadas no exílio escolas de teologia judaica (precursoras das sinagogas) e, portanto, quando enfim, chegou o dia da restauração, não eram fracas as suas convicções, nem desordenado o seu sistema doutrinário e possuíam uma austera crença monoteísta e um credo religioso distinto, não podendo efetuar domínio na sua alma as fascinações da idolatria.

Podemos observar isso nas palavras do professor Cornill, de Konigsberg: “uma das maiores ironias do destino que a história universal conhece, ou falando mais propriamente, uma das mais admiráveis provas dos caminhos maravilhosos que a Divina Providência toma para a consecução dos seus mais importantes desígnios, é esta: a completa realização e permanente consolidação do judaísmo puro que afastou inteiramente qualquer corrente contrária as idéias e costumes israelitas e rejeitou todo paganismo, somente foi possível sob a proteção e com o auxílio de um governo idólatra”.

Certamente o tempo do exílio foi um período de grande atividade literária entre os judeus no sentido de coligir, preservar e editar antigas narrações. Por conseguinte, podemos atribuir ao povo judeu a preparação do caminho para a vinda do Cristianismo, uma vez que forneceu por meio desta preservação literária à jovem igreja sua mensagem, o Antigo Testamento.

Outra questão digna de destaque é que embora os judeus fossem uma nação pequena, eles ocupavam a Palestina, um pedaço de terra que ligava Ásia, África e Europa. Sua posição central e o fato de ter sido conquistada e levada em cativeiro, ajudou a espalhar suas ideias religiosas por todo o mundo mediterrâneo. O judaísmo contrastava flagrantemente com a maioria das religiões pagãs, ao alicerçar-se num sólido monoteísmo espiritual burilado no cativeiro babilônico. Depois da sua volta deste cativeiro, os judeus nunca mais caíram em idolatria. Os ditames de Deus para eles através das Escrituras Sagradas eram de total fidelidade ao único Deus verdadeiro de toda a terra. E esse sublime monoteísmo foi espalhado por numerosas sinagogas (O conceito de sinagoga nasceu no cativeiro babilônico e se consolidou no período dos impérios subsequentes) localizadas em volta da área mediterrânea durante os três últimos séculos anteriores à vinda de Cristo. Os judeus formaram uma instituição de ensino teológico chamada de Sinagoga que nasceu da necessidade decorrente da ausência do Templo de Jerusalém durante o cativeiro babilônico, com isso a sinagoga se tornou parte integrante da vida judaica. Através dela os judeus e também muitos gentios se familiarizaram com uma forma superior de viver. O apego à Lei que foi adquirido neste período produziu um forte conceito messiânico na mentalidade israelita, que ajudou de forma proeminente para a formação do cenário no qual nasceria Jesus Cristo.

Na parte moral e ética da Lei judaica, o judaísmo também ofereceu ao mundo o mais puro sistema ético existente. O elevado padrão proposto nos dez mandamentos contrastava acentuadamente com os sistemas éticos predominantes nos Impérios; e essa perspectiva moral e espiritual favoreceu a doutrina de pecado e redenção, na qual a Salvação vinha do Deus YHWH somente e não seria encontrada em sistemas racionalistas, científicos ou politeístas de ética ou nas subjetivas superstições.

O modelo imperial ao qual os judeus ficaram submetidos no cativeiro provocou no povo uma mudança estrutural nas áreas política, administrativa e econômica. Se nas sinagogas identifica-se um novo modelo de promulgação da religião, fé, e educação, na área econômica vê-se que o povo tornou-se mais voltado aos meios mercantis de negócio, não estando mais limitados à agricultura e a pecuária.

Sesbazar e Zorobabel

 

Na descrição do retorno do cativeiro e da edificação do Templo em Jerusalém, aparecem dois proeminentes nomes, Sesbazar e Zorobabel, os quais têm sido muitas vezes identificados como uma só pessoa, onde Sesbazar seria um nome babilônico de Zorobabel. Sesbazar guiou os judeus para Jerusalém (Ed 1:11), mas Zorobabel também os conduziu (Ed 2:2; 3:2). Sesbazar lançou os alicerces do Templo (Ed 5:16); mas Zorobabel foi o superintendente da obra (Ed 3:2,8; Ag 1:12-14; Zc 4:10). Entretanto Esdras 5:14 nos possibilita a conclusão de que Sesbazar tenha morrido pouco tempo depois do regresso, e assim Zorobabel passou a ser seu sucessor natural, ou que ele,  Sesbazar, fosse um representante judeu na corte do império ao qual foi conferida a responsabilidade de organizar o regresso e reconstrução do Templo (Ed 1:8; 5:13-17), e ele estabelecera a Zorobabel como governador para guiar os judeus no retorno à Jerusalém e na construção (Ed 2:2).  Após o decreto, Ciro nomeou a Sesbazar governador de Judá (Ed 5:14). E guiados por Zorobabel (Ed 1:8), 49.897 judeus regressaram a Jerusalém. No sétimo mês do seu regresso, os israelitas levantaram um altar e observaram a Festa das Cabanas. No segundo mês do segundo ano, foram lançados os alicerces do templo. À medida que progrediam as obras do templo, os samaritanos quiseram unir-se imediatamente a eles. Mas reconhecendo a impureza do sistema religioso dos samaritanos, ou talvez motivados por senso de exclusividade, os líderes judeus declinaram da proposta. Assim desprezados, os samaritanos, tentaram impedir a obra do templo, uma hostilidade que continuou por dezesseis anos (536-520 a. C.), período após o qual Dario I subiu ao poder.

Incentivados por Ageu e Zacarias, o povo, reiniciou a obra do templo. Entretanto, Tatenai, sátrapa de toda região oeste do Eufrates, tendo ouvido o apelo dos samaritanos foi investigar a situação e desafiar a autoridade dos judeus. Enviou uma carta ao imperador Dario I questionando a construção do templo. Visto que os judeus apelavam para o decreto de Ciro, investigou a existência do documento, ficou convencido da legítima causa dos judeus e emitiu um parecer em seu favor: ordenou que Tatenai não apenas cessasse qualquer tipo de interdição, mas também que financiasse toda a reconstrução e serviços religiosos associados ao templo, o qual em quatro anos foi concluído.

 

 

Esdras

Esdras era sacerdote e um dos cativos da Babilônia, onde provavelmente nasceu. Era filho de Seraías e bisneto do sacerdote Hilquias, que orientara a reforma feita pelo rei Josias. Estudou, praticou e ensinou a Lei do Senhor como um escriba preparado.  Foi o mais provável autor dos livros de 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias. De acordo com 2 Macabeus 2:13-15, ele teve acesso à biblioteca de documentos escritos reunida por Neemias. Sem dúvida Esdras se utilizou desse material para escrever os capítulos de 1 ao 6 de Esdras, assim como fez com Crônicas, e fez uso do diário pessoal de Neemias. Foi um homem piedoso, marcado por uma forte confiança no Senhor, pela integridade moral e por repulsa ao pecado. Também era um homem de profunda humildade; cheio de ardente zelo pela religião (Ed 7:10; 8:21-23), afligindo-se muito com os pecados do povo, e empregando todos os esforços para trazer os desviados ao caminho do arrependimento (Ed 9:3; 10: 6, 10).

A importância de Esdras como professor da Lei é com frequência comparada com a de Moisés, o legislador, que começou a escrever o Antigo Testamento. Ambos eram levitas; Moisés escreveu os primeiros cinco livros; Esdras escreveu ou compilou os quatro últimos. Seu movimento reformador conquistou para ele o título de “segundo formador da nação judaica”.

Ao assumir o poder, Artaxerxes I, elaborou um decreto que constituía Esdras como chefe de Jerusalém. Com isso, Esdras viajou da Babilônia para Jerusalém em 457 a. C., levando consigo um grupo de levitas, a fim de ensinar a Judá a Lei de Deus, para embelezar o templo e para restaurar o culto no templo (Ed 7:7). Após quatro meses de viagem, chegou a Jerusalém e ofereceu holocaustos ao Senhor. Encontrou uma situação que lhe entristeceu o coração: O povo, os sacerdotes, os levitas e os líderes tinham feito casamentos mistos em grande número com seus vizinhos idólatras. Diante disso Esdras e o povo fizeram um pacto em que todas as mulheres e os filhos estrangeiros seriam despedidos. O povo se arrependeu e os sacerdotes e demais líderes reafirmaram seu compromisso para com a aliança do Sinai (Ed 10:1-8). Três dias depois, todos os homens da nação estavam reunidos em Jerusalém e lá receberam instruções para que dissolvessem aquelas uniões ilegais, a fim de que pudesse ser restaurado um povo puramente judaico.

Segundo a tradição judaica, cinco grandes obras são atribuídas a Esdras:

  1. A fundação da “Grande Sinagoga”;
  2. A determinação do cânon das Escrituras, com a sua tríplice divisão em Lei, Profetas e Hagiógrafos;
  3. A substituição dos caracteres quadrados caldaicos pelos antigos hebraicos e samaritanos;
  4. A compilação dos livros de Crônicas e provavelmente de Ester, além do acréscimo da história de Neemias à sua;
  5. O estabelecimento das sinagogas.

Nada mais está registrado acerca de Esdras e seu ministério depois de seu primeiro ano em Judá até que Neemias chegou, em 445 a. C., treze anos depois. Não resta dúvida de que esses anos foram bastante difíceis para Esdras, com respeito à administração interna e a incessante oposição dos samaritanos e outros povos. Os motivos que determinaram a ida de Neemias à Jerusalém são um testemunho claro e evidente que Esdras enfrentava, e tudo que Neemias lá encontrou apenas os confirma.

Esdras faleceu pouco depois da celebração da Festa dos Tabernáculos. Sua missão estava terminada. Foi sepultado em Jerusalém, com grande magnificência.

 

Neemias

Neemias era filho de Hacalias, irmão de Hanani. Ocupava um cargo de confiança do rei Artaxerxes, servindo como copeiro. Em 445 a. C., Neemias, através de seu irmão Hanani e seus companheiros de viagem, soube que Judá se encontrava em grande miséria e desprezo. Ao ouvir essas palavras entristeceu-se profundamente, chorou, lamentou e esteve jejuando e orando perante Deus, pedindo que lhe desse graça perante o rei para que este o dispensasse para viajar a Jerusalém, a fim de reedificar a cidade (Ne 1). Depois disso, estando Neemias exercendo seu ofício real, demonstrou tristeza de coração, pois nunca estivera triste diante do rei. Percebendo isso, Artaxerxes se inteirou de todos os fatos que atribulavam o espírito de Neemias, e assim, autorizou sua partida para a cidade de Jerusalém e lhe deu cartas reais que garantiam acesso seguro por todas as províncias além do Eufrates, e patrocínio do governo persa para a reconstrução (Ne 2:7, 8).

Chegando a Jerusalém, Neemias descobriu que a situação era pior do que imaginava. As muralhas e outras estruturas estavam tombadas em ruínas e não havia males que os povos vizinhos não lhes causassem, pois devastaram os campos, levaram prisioneiros os habitantes da cidade e encontravam-se cadáveres pelas estradas. Não somente isso, mas os oficiais e administradores de outros distritos foram radicalmente contrários à reconstrução da cidade, e entre eles estavam Sambalate, Tobias, os árabes, os amonitas e os asdoditas, os quais se uniram contra Jerusalém a fim de os desviarem o seu intento. Esses povos conspiraram, continuamente, ataques contra os que trabalhavam na reedificação da cidade, ao ponto de Neemias instruir ao povo que trabalhassem armados e prontos para peleja, com o objetivo de se defenderem contra esses opositores (Ne 4:16-23). Vale à pena ressaltar que apesar de todas as controvérsias, o processo de construção não sofreu nenhuma interrupção (Ne 3:6), sendo finalizado em 52 dias (Ne 6:15). Seus feitos não ficaram restritos apenas às reconstruções civis, mas contribuiu também, na reestruturação da moral do povo, introduzindo a Lei, a boa ordem e restaurando a adoração.

Depois de assegurar que a cidade estava bem protegida, Neemias deu início a mais importante de todas as tarefas. Ele precisava agora reorganizar toda a vida e administração pública e, acima de tudo, efetuar uma sólida e profunda reforma espiritual. Logo de início, ele designou que houvesse porteiros, cantores e outros que serviam no santuário, além de estabelecer seu irmão, Hanani, como prefeito da cidade. Então passou a tratar os problemas econômicos da província. Certamente, o novo cerco em Jerusalém durante as semanas de construção provocou instabilidade no povo, aumentando a miséria para muitos, pois o alimento estava em falta e os que o possuíam vendiam-no a preço exorbitante. O mais vergonhoso era que os que lucravam com a situação não eram os pagãos, mas os judeus ricos! Furioso, Neemias ordenou que essa prática perniciosa cessasse, e todas as propriedades confiscadas fossem devolvidas à seus legítimos donos (Ne 5).

Outro passo administrativo e político tomado por Neemias foi a melhor redistribuição dos judeus na terra, pois a maioria dos que retornaram se estabeleceram em lugares onde a destruição havia sido mínima e Jerusalém estava abandonada (Ne 7:4). Com a reconstrução dos muros outras famílias tentariam se restabelecer na capital. Neemias fez um levantamento genealógico das famílias, permitindo que voltassem para a cidade apenas as que habitassem lá anteriormente.

Em seguida, durante sete dias, desde o raiar do sol até o meio-dia, Esdras e os instrutores levitas abriram o livro da Lei e o interpretaram e explicaram, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido. Essa leitura e exposição pública do livro de Deus ocasionaram uma grande onda de arrependimento entre o povo, um grande reavivamento e uma aliança solene de observarem a Lei (Ne 8-9).

Após doze anos de trabalho em Jerusalém, Neemias retorna a corte de Artaxerxes, cerca de 434 a. C., permanecendo ali por algum tempo (Ne 13:6). Seu retorno a Jerusalém foi assinado por novas reformas, dando cabo dos casamentos ilícitos com muita violência, restabelecendo as contribuições, para os levitas, que tinham cessado e estabelecendo tesoureiros para administrar essa causa (Ne 13:6-30).

Conclusão

 

 

            Entende-se que o cativeiro na verdade foi uma notável dispensação da Providência, que provocou a devastação de toda a terra de Judá, a destruição da Arca da Aliança, o incêndio do Templo do Senhor e a assolação de Sião, fazendo com que o povo, tal como nunca antes, estivesse sob o poder de inimigos bárbaros, longe de sua pátria e realocado num país idólatra, mas que por meio disso o Deus YHWH consolidou o conceito monoteísta na mentalidade judaica e preparou a nação que seria o principal cenário da vida de Jesus Cristo e surgimento do Cristianismo.

 Bibliografia

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Monarquia de Israel

INTRODUÇÃO

Falar-se-á sobre a monarquia unificada, a monarquia dividida e suas capitais e eventos extra-bíblicos.

Quanto à instituição da monarquia, de forma introdutória, é importante salientar que quando os anciãos israelitas pedem um rei ao juiz e profeta Samuel, há três razões para tal pedido:

1.      A corrupção e depravação dos filhos de Samuel, Abias e Joel, que foram constituídos juízes em Israel;

2.      O próprio desejo da nação de se enquadrarem no padrão de governo das outras nações circunvizinhas;

3.      Para a nação de Israel existia a necessidade de se ter um comandante militar que guiasse o povo na execução de suas guerras.

É bem verdade que se encontra disposto na Lei mosaica acerca dos ditames peculiares a um rei (Dt 17:14,15), no entanto, Israel e os seus anciãos erraram ao não reconhecerem YHWH como seu legítimo e verdadeiro Rei (1Sm 8:7; 12:12). De fato é inegável que era da vontade de Deus que Israel tivesse um rei (Gn 49:10; Nm 24:17; Dt 17:14-20). Entretanto, não era de seu anelo preceptivo divino que Israel obtivesse seu monarca da maneira como estava fazendo na ocasião errada e com motivos impróprios, mas mesmo assim Deus permite o estabelecimento de um rei.

Na monarquia unificada contamos os seguintes reis: Saul, Davi, Absalão e Salomão.

Na monarquia dividida contamos os seguintes reis: Isbosete “Esbaal” (c. 1020 -1017, neste período ocorre a primeira divisão do reino, na qual a tribo de Benjamim e o restante de Israel continuam sob o domínio da linhagem real de Saul), Davi (Davi foi o único rei israelita que governou tanto num reino dividido, quanto no reino unificado. Os primeiros dois anos de seu reinado foram apenas sob a tribo de Judá.);

Reino do Norte (Israel): Jeroboão I, Nadabe, Baasa, Elá, Zinri, Onri (Tibni e Onri), Acabe, Acazias, Jorão, Jeú, Jeoacaz, Jeoás, Jeroboão II, Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías, Peca e Oseias.

Reino do Sul (Judá): Roboão, Abias, Asa, Josafá, Jeorão, Jeoacaz (Acazias), Atalia, filha de Onri (descendente da casa de Acabe), Joás, Amazias, Azarias (Uzias), Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés, Amom, Josias, Jeoacaz, Jeoaquim (Eliaquim), Joaquim e Zedequias (Matanias).

A INSTITUIÇÃO DA MONARQUIA

MONARQUIA UNIFICADA:

SAUL: embora na inscrição bíblica no livro dos juízes relate a história de Abimeleque, o filho de Jerubaal (Gideão), na qual consta que este foi estabelecido como rei e dominou por três anos sobre Israel (Jz 9:6,22), e possamos considerá-lo como o primeiro rei da nação, o seu domínio não se enquadra no período de monarquia, então Saul é considerado o primeiro rei neste período.

Fisicamente o primeiro monarca seguia uma ideologia de governante advinda dos juízes, Saul era forte, alto e de boa aparência, um ícone no meio do povo. Mesmo que Saul, como nos mostra a Bíblia sagrada, fizesse parte de uma família de pouca expressão e não fosse muito conhecido, nos aspectos fisiológicos, era tudo que a nação poderia desejar. Pode-se notar que quando depreciado pelos filhos de Belial, ele demonstrou qualidades no seu caráter, uma vez que se fez de surdo para o que eles diziam, e mesmo depois quando teve a oportunidade de exterminá-los não consentiu no desejo do povo de os matar.

O rei Saul se destacou pelas guerras que efetuou, pela formação de um exército organizado, por ter estabelecido a primeira capital de governo (Gibeá). Infelizmente, no desenvolvimento do seu governo, Saul denotou algumas falhas cruciais que foram determinantes para a deposição de sua dinastia, quando lhe foi ordenado aguardar, pelo profeta Samuel, precipitadamente desobedeceu e ofereceu sacrifícios, algo que não era de seu encargo; quando ordenado a exterminar os amalequitas, em desconformidade à palavra profética, poupou o melhor das ovelhas e dos bois e deixou vivo o rei Agague; irascível, quando por causa de um voto imprudente, quase matou seu próprio filho, Jonatas, que foi salvo pelo povo, que impediu Saul de matá-lo; por fim Deus permitiu que fosse atormentado por espíritos malignos, invejoso, tentou por inúmeras vezes matar Davi (seu genro), exterminou com uma cidade de sacerdotes, e consultou uma médium necromante. Seu fim se deu naquilo que ele mais se destacou, a saber, numa batalha na qual Israel foi derrotado, Saul e seu filho Jonatas morreram.

PRIMEIRA DIVISÃO NO REINO:

BENJAMIM E ISRAEL

ISBOSETE (ESBAAL): Com a morte de Saul e de Jonatas, Abner, o comandante do exército de Saul, estabeleceu Isbosete da linhagem real de Benjamim como rei sobre Israel. Isbosete governou por apenas dois anos, e seu reinado demonstra o desejo de alguns do povo em rejeitar a ordenança real do próprio Deus, que saíra da linhagem de Saul e passara ao descendente de Jessé. A Bíblia não relata muitos feitos deste rei, mas pode-se notar que valendo-se do exército que Saul formou, efetuou guerra contra Judá. A decadência de seu governo tem início num desentendimento entre ele e o seu capitão, o qual fez aliança com Davi, a fim de fazê-lo rei sobre todo o Israel. Neste ínterim, no entanto, Abner é morto por Joabe e numa conspiração Isbosete é morto por seus próprios servos.

JUDÁ

DAVI: O filho de Jessé da tribo de Judá, ungido rei por Samuel, quando ainda era pastor de ovelhas na casa de seu pai, antes de cegar ao poder passou por um período de cerca de dez anos onde de pastor passou para harpista do rei, escudeiro, chefe militar e guerreiro, e então severamente perseguido pelo rei Saul. Quando na morte de Saul e seu filho a tribo de Judá o ungiu rei na cidade de Hebrom (a capital dos primeiros sete anos de governo de Davi). Nestes dois anos de reino dividido a maior informação que temos é a própria questão de transição de dinastia real, onde parte do povo seguia a família real benjamita, e apenas a tribo de Judá estava do lado de Davi. Na batalha contra o exército de Abner, o exército de Davi comandado por Joabe e os valentes prevaleceu. Como término desta primeira divisão no reino, tendo Isbosete morto e se valendo da própria aliança que Abner fizera consigo, todo o povo unge Davi rei em Hebrom.

MONARQUIA UNIFICADA

DAVI: Depois dos dois anos de divisão no reino Davi ainda governa sobre toda a nação de Israel na capital Hebrom por mais cinco anos, perfazendo um numero total de sete anos governando em Hebrom e em seguida mais trinta e três anos na capital Jerusalém, tendo em vista a conquista de Jebus, na direção do comandante Joabe e o exército de Davi, que passou a ser a capital de Israel, vindo a se chamar a Cidade de Davi (Jerusalém, Sião, Ariel).

Davi era um verdadeiro militar, um conquistador. O seu período de governo foi no qual ocorreu mais guerras e mais conquistas de território. Foi Davi quem construiu um novo Tabernáculo em Jerusalém para a Arca da Aliança. Algo marcante na vida de Davi foi que mesmo sendo rei e um militar ele não abandonou a sua função de adorador e no seu domínio ele valorizou o ministério levítico e intentou construir um grande templo para nele colocar a Arca e ali oficiarem os sacerdotes, mas foi impedido pelo próprio Deus através do profeta Natã, pois Davi tinha nas mãos o sangue inocente de Urias, o qual ele matou depois de haver possuído sua mulher Bate-Seba. Todavia outras construções tiveram destaque no reino de Davi, certamente a mais importante delas foi a construção da cidade de Jerusalém e o Tabernáculo.

Este monarca que efetuou inúmeras guerras concedeu a Israel um vasto território de domínio e muitas nações traziam tributo a Jerusalém. Mas Como paga por seu pecado contra Urias, além da morte de seu filho com Bate-Seba, Davi experimentou um terrível desequilíbrio na sua família, a saber, Amnon, seu filho, possuiu sua própria irmã Tamar, e depois por causa disso Absalão, outro filho do rei mata seu irmão Amnon. Como cumprimento da palavra do profeta que a espada não se apartaria da casa de Davi.

ABSALÃO COMO REI

ABSALÃO: O filho de Davi que conspirou contra seu pai e reinou sobre Israel, depondo por um espaço de tempo Davi do trono (estando este com uma parte do povo no deserto). Absalão além de sua dissolução em manter relações sexuais com as concubinas de Davi à vista de todo o povo fez guerra contra o exército de Davi estabelecendo Amasa como o comandante do seu exército, batalha na qual foi derrotado e morto por Joabe. Pode-se destacar uma construção efetuada por ele, uma coluna com seu nome.

Depois deste contratempo Davi retoma o poder da nação, permanecendo assim até a sua morte passando o reino em paz para Salomão.

SALOMÃO: depois de uma pequena disputa pelo reino de Israel contra o seu irmão Adonias, Salomão se firmou como o novo monarca sucessor de Davi. O princípio de seu reinado se destacou por uma série de mortes que seguiam a determinação deixada por seu pai. O maior legado que Davi passara às mãos de Salomão foi a planta para a construção de um templo ao Senhor, construção que teve seu início por volta de 967 a.C e concluída sete anos depois. A Bíblia descreve que Salomão amava ao Senhor e andava fielmente nos caminhos de Davi seu pai, por isso o Senhor lhe apareceu e lhe permitiu fazer um pedido especial. Então Salomão sabiamente pede ao Senhor entendimento para governar aquela tão grande nação. Por isso o Senhor o honrou concedendo-lhe tão grande sabedoria, entendimento e inteligência, que este se tornou o homem mais sábio da terra de todos os tempos, e também lhe concedeu muita glória e riqueza, a qual nunca antes e nem depois teve em Israel. O governo de Salomão se destacou nas suntuosas construções, no vasto comércio e na mui grande riqueza. A Bíblia chega a mencionar que no tempo de Salomão a prata não possuía estima, por tão grande quantidade que havia de ouro, não só na casa real, mas em todo o povo, porque através de Salomão Deus fez prosperar toda a nação. Todavia Salomão foi contra os ditames que Deus havia prescrito em sua Lei, ajuntando excessiva quantidade de ouro e cavalos, acumulando para si muitíssimas mulheres (eram 300 mulheres princesas e 700 concubinas) onde muitas eram de nações das quais Deus disse que os filhos de Israel não deveriam se relacionar, porque amando-as elas corromperiam o coração do povo, e assim ocorreu, Salomão na sua velhice se corrompeu ao ponto de construir no território israelita altares e templos para adoração a outros deuses, dando ouvidos às suas mulheres, e ele mesmo adorou aos deuses de outras nações, portanto no final do seu reinado Deus levantou inimigos que guerrearam contra Salomão e mediante a profecia de Aías, Deus disse que dividiria o reino de Israel por causa dos pecados de Salomão, mas manteria a sua aliança estabelecida com Davi, de que não faltaria descendente para se assentar no trono de Davi.

DIVISÃO DO REINO

REINO DO SUL (JUDÁ)

ROBOÃO: coma morte de Salomão sobe ao poder Roboão seu filho que na verdade não chegou a reinar na monarquia unificada, pois logo no princípio de seu reino, em c.931 a.C, ocorreu uma grande reunião entre o povo e seus representantes e a realeza, onde o povo suplicara ao novo rei alívio na sua dura servidão impetrada por Salomão. Após três dias como combinado Roboão retorna diante do povo com a determinação de que seria mais severo do que seu pai (resposta esta concedida com base nos conselhos dos jovens da realeza, contrapondo a posição dos antigos conselheiros reais que desejavam que Roboão atendesse à petição do povo). Portanto o povo se dividiu ficando apenas a tribo de Judá e Benjamim sob o domínio de Roboão, e o restante de Israel constituiu Jeroboão, o efraemita, como rei de Israel.

O tempo de Roboão como rei em Judá foi marcado por um declínio religioso, porque Judá edificou altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros e debaixo de todas as árvores e se estabeleceu na terra muitos prostitutos-cultuais. Subiu contra ele o rei Sisaque do Egito e tomou os tesouros da casa do Senhor e os tesouros da casa real. Também levou todos os escudos de ouro feitos por Salomão, os quais ele substituiu por escudos de bronze. Logo no início, quando na divisão do reino, Roboão intentou guerrear contra os desertores do reino, foi proibido pelo profeta Semaías, todavia, no decorrer do seu reino ocorreram várias guerras contra o reino do norte, que se encontrava sob o domínio de Jeroboão.

ABIAS: manteve o declínio espiritual ocorrido no tempo de Roboão. Derrotou Jeroboão na batalha, fez o que era mau aos olhos do Senhor e reinou por apenas três anos.

ASA: Fez o que era reto perante o Senhor e reinou quarenta e um anos em Jerusalém. Pôs termo à idolatria e fortaleceu o reino. Foi vitorioso na guerra contra Zera o etíope. Auxiliou Ben-Hadade I, contra Baasa, rei de Israel. Quando o profeta Hanani protestou contra o rei, foi preso. Asa morreu doente dos pés, no final de sua vida confiou nos médicos e não buscou ao Senhor.

JOSAFÁ: foi piedoso e buscou ao Senhor e, portanto, Deus lhe fez prosperar. Ele se afeiçoou com os reis do reino do norte, tanto que seu filho Jeorão casou-se com Atalia, filha de Onri, da casa de Acabe. Ele e Acabe juntaram-se em Ramote-Gileade na expedição contra a Síria. Josafá então é censurado por Jeú o vidente. Organizou um sistema de jurisprudência. Desfez a confederação dos seus inimigos (Moabe, Amom, Edom, etc.), no Vale da Bênção. Teve que abandonar a aliança naval que fizera com Acazias, porque Deus a isso desaprovou.

JEORÃO: fez o que era mau perante os olhos do Senhor. Reinou por oito anos. Andou nos caminhos dos da casa de Acabe. Em seu tempo Edom se revoltou, Jeorão caiu na idolatria, foi atacado pelos filisteus e pelos árabes. Quando no seu declínio religioso ele recebeu uma carta do profeta Elias, que dizia que por causa de seus pecados seria ele flagelado pelo Senhor e receberia uma grande enfermidade nas entranhas da qual morreria. Não recebeu honras na sua morte.

JEOACAZ (ACAZIAS): fez o que era mau diante dos olhos do Senhor e reinou apenas um ano em Jerusalém. Fez uma aliança fatal com Jorão, rei de Israel, contra os sírios. Tanto Acazias quanto Jorão são assassinados em Jezrriel por Jeú.

ATALIA (descendente da casa de Acabe, filha de Onri): esta mulher, mãe de Acazias, usurpou o trono de Judá por seis anos. Foi morta por Joiada.

JOÁS: é colocado no trono por Joiada na idade de sete anos. Restaurou o templo, mas depois da morte do sacerdote, abandonou YHWH. Zacarias, filho de Joiada protestou contra o pecado e foi assassinado no pátio do templo. No seu tempo ocorreu uma incursão dos sírios. Por fim foi assassinado numa conspiração de seus próprios servos.

AMAZIAS: tomou a soldo as tropas de Israel, mas seguindo o conselho de um profeta, mandou-as embora. Reconquistou Edom, mas caiu na idolatria deste povo. Provocou uma guerra, mas foi derrotado e depois assassinado.

UZIAS (AZARIAS): principia bem o seu reinado sob a influência do profeta Zacarias; desenvolve os recursos do país, fortifica Jerusalém e os postos avançados do território judaico; apodera-se de uma vantajosa fortificação em Elate; foi chamado de amigo da agricultura; e já quase no fim do seu reinado usurpa o lugar de sacerdote sendo ferido de lepra. Por isso ficou isolado e Jotão seu filho governa como príncipe regente atá a morte do seu pai.

JOTÃO: pouco se sabe acerca de Jotão, mas a descrição bíblica mostra ter sido um bom rei que manteve e forma de governo estabelecida por Uzias, e em toda a sua vida fez o que era reto perante o Senhor, apenas ocorreu de que os altos não se tiraram e o povo ainda sacrificava e queimava incenso neles. Em seu tempo também se levantou guerra por parte de Rezim, rei da Síria, e Peca, rei de Israel.

ACAZ: foi um rei ímpio e negligente ao ponto de queimar seu próprio filho como sacrifício, segundo as abominações dos gentios, sendo derrotado pelas forças aliadas da Síria e Israel, solicita o auxílio da Assíria, mas é levado a renunciar a proteção assíria pelos fortes protestos de Isaías. Os prisioneiros de guerra que se achavam em Samaria são mandados por Peca para Judá a pedido de Odede, o Profeta.

EZEQUIAS: foi um rei profundamente religioso e os negócios de seu reino se houve prosperamente o décimo quarto ano do seu reinado o país foi invadido por Sargão. Ezequias fez aquedutos e trouxe água canalizada para dentro da cidade de Davi. Adoentou-se mortalmente, mas foi restabelecido mediante uma promessa de receber mais quinze anos de vida. Houve campanha de Senaqueribe contra Judá, mas pela atuação divina ocorreu repentina destruição do seu exército. A embaixada de Merodauqe Baladã, rei de Babilônia, conheceu as riquezas de Judá, e Isaias profetiza o cativeiro.

MANASSÉS: por volta de 697 a.C. Manassés restabelece a idolatria, persegue os adoradores de YHWH. Ocorrem protestos inúteis dos profetas contra o pecado (neste período está situado a tradição do martírio de Isaías). Esar-Hadom, rei assírio, prende Manassés, que é deportado para a Babilônia, converte-se e é reintegrado no seu posto real.

AMOM: foi extremamente ímpio em todo o seu período de governo. Morreu numa conspiração de seus servos.

JOSIAS: foi extremamente piedoso, tomou medidas contra a idolatria; efetuou a restauração do templo; encontrou o livro da Lei e consultou e seguiu os conselhos de Hulda, a profetiza. realizou mui grande celebração da páscoa. Seu período contou com os profetas Jeremias, Sofonias e Habacuque. O rei Josias foi morto na batalha de Megido por Neco, e muito lamentado pela nação.

JEOACAZ (SALUM): filho de Josias reinou durante três meses em c. 608 a.C.; deposto e aprisionado por Faraó Neco é lavado prisioneiro para o Egito, onde morreu. Jeoaquim ou Eliaquim, o filho mais velho de Josias é posto no trono por Neco e obrigado a pagar um certo tributo.

JEOAQUIM (ELIAQUIM): depois da batalha de Carquemis, o reino de Judá ficou sob o domínio de Babilônia. Daniel e seus companheiros neste período são levados para a Babilônia. Passados três anos o rei Jeoaquim quebrou o juramento da aliança resultando desse fato grandes perturbações.

JOAQUIM: filho de Jeoaquim reinou por apenas três meses, porque vindo Nabucodonosor à Jerusalém, foi por ele mandado cativo para a Babilônia, e no trono foi colocado Matanias.

ZEDEQUIAS (MATANIAS): este era filho de Josias e, portanto, tio de Joaquim. Mostrou-se fraco e pérfido, intrigando o Egito com Babilônia, a despeito das admoestações de Jeremias. Nebuzaradã, general de Nabucodonozor, depois de prolongado cerco, tomou Jerusalém, mandou matar muitos dos principais da cidade, e levou Zedequias em c. 587 a.C, já cego e preso com cadeias, para a Babilônia, dando esse fato cumprimento às predições de Jeremias (queda de Jerusalém em c.586ª.C.).

REINO DO NORTE (ISRAEL)

JEROBOÃO I: reinou sobre as dez tribos restantes de Israel; estabeleceu uma nova capital, que parece ter sido Siquém, e depois Tirza. Com medo de o povo passar para o lado de Judá, impediu a peregrinação do povo para Jerusalém nos dias festivos da nação. Fez dois bezerros e altares para os mesmos, um ficava localizado em Dã e outro em Betel. Para ministrarem a adoração a esses bezerros, Jeroboão constituiu sacerdotes que não eram da tribo de Levi. No seu tempo houve guerra constante contra Roboão.

NADABE: filho de Jeroboão reinou por dois anos em Tirza. Fez o que era mau perante os olhos do Senhor e numa conspiração foi morto por Baasa. Extingue-se então a dinastia de Jeroboão.

BAASA: descendente da tribo de Issacar sobe ao poder depois de uma conspiração e fez o que era mau perante os olhos do Senhor. Foi derrotado por Ben-Hadade I. Acusado por Jeú, o vidente. E depois de sua morte seu filho reinou em seu lugar.

ELÁ: reinou por apenas dois anos em Tirza, fez o que era mau aos olhos do Senhor e foi morto numa conspiração.

ZINRI: pouco fez em Israel e foi o que menos reinou dentre os reis, apenas sete dias. O que de mais grandioso ele efetuou Foi que quando sitiado pelo exército comandado por Onri, ele ateou fogo na casa real estando ele mesmo dentro dela, e morreu.

ONRI: tendo em vista sua vitória contra Zinri, e o fato de não ter mais a casa real em Tirza, que fora destruída pelo seu antecessor, foi de sua responsabilidade construir uma nova capital, comprou um monte de Semer e nele edificou a cidade de Samaria, que passou a ser a nova capital até o fim do reino do norte.

ACABE: filho de Onri casou com Jezabel, princesa de Sidom e introduziu o culto à Baal em Israel: neste tempo opôs-se-lhe o profeta Elias. Ben-Hadade II cerca Samaria, mas sendo duas vezes derrotado, por fim faz aliança com Acabe. Iniquamente se apropria da vinha de Nabote e é duramente reprovado. Acabe querendo conquistar os Sírios em Ramote-Gileade.

ACAZIAS: filho de Acabe. Com ele houve revolta de Moabe. Após cair por entre umas grades, adoeceu gravemente e morreu; neste tempo Elias é levado ao céu.

JORÃO: por Acazias não ter filhos, Jorão, outro filho de Acabe, assume o trono em Samaria. Em seu tempo manteve-se contínua a guerra contra Moabe. Em seu período ocorreram vários milagres de Eliseu, o profeta. Samaria foi cercada por Ben-Hadade, mas recebeu divino livramento repentino. Jorão manteve-se nos pecados religiosos de Jeroboão, mas não adorou a Baal, como a casa de seu pai. Foi ferido depois numa batalha contra os sírios; retira-se para Jezreel, e aí é assassinado por Jeú.

JEÚ: era o general do exército de Jorão, foi ungido rei por um dos discípulos dos profetas. Matou Jezabel e os filhos de Acabe, e os adoradores de Baal.

JEOACAZ: filho de Jeú efetuou guerras desastrosas com Hasael e Ben-Hadade.

JEOÁS: NO SEU TEMPO MORRE O PROFETA ELISEU. Ben-Hadade III é três vezes derrotado por ele. Houve vitórias sobre Amazias de Judá.

JEROBOÃO II: foi um homem irreligioso, mas um rei próspero. Reclamou o território conquistado pela Síria, de conformidade com a palavra do profeta Jonas; e estendeu o seu reino em muitas direções, abrangendo também Damasco e Hamate. Provavelmente no seu reinado ocorreu o ministério do profeta Joel, Oséias e Amós.

ZACARIAS: conforme fora profetizado, assim acontecera, este rei foi o último da linhagem de Jeú, a quarta geração de reis. É assassinado numa conspiração por Salum. Reinou apenas seis meses em Israel.

SALUM: reinou por apenas um mês. Pouco se sabe acerca dele, foi assassinado numa conspiração efetuada por Menaém.

MENAÉM: reinou dez anos em Israel, fez o que era mau perante os olhos do Senhor. Desenvolveu o reino tributário à Assíria. Morreu e seu filho subiu ao trono.

PECAÍAS: reinou por apenas dois anos, se manteve idólatra como os seus antecessores e foi assassinado por seu próprio capitão Peca.

PECA: reinou por vinte anos em Samaria, e no seu reino ocorreu a deportação de parte do reino do norte por Tglate-Pileser, rei da Assíria, que tomou as cidades de Ijom, Abel-Bete-Maaca, Janoa, Quedes, Hasor, Gileade e a Galiléia, e toda a terra de Naftali, levando os seus habitantes para a Assíria. Oséias conspirou contra Peca e o matou.

OSÉIAS: foi atacado por Salmaneser e feito seu tributário; suspendando o tributo, e estando a negociar secretamente com o Egito, é aprisionado pelo monarca assírio. Samaria é cercada e tomada e sua população totalmente deportada para a Assíria (queda de Samaria em c. 722 a.C.).

Reino Unido

Reino Unido Tempo de reinado  

(em anos)

Data Profetas  

(1050 – 950)

Samuel, Saul, Davi, Natã, Gade, Zadoque, Asafe, Hemã, Jedutum, Ido e Aías

Saul 40 1050 – 1010
Davi 40 1010 – 970
Salomão 40 970 – 931

Reino Dividido

Reis de Judá Tempo de reinado  

(em anos)

Data Profetas 

Ido (950-900)

Aías

Semaías     c. 900

Azarias

Hanani

Jaaziel (873 -848)

Eliezer

Obadias c. 850

Joel (850-800)

Zacarias (835-796) Certo profeta(796 -767)

Oséias

Isaías

Esposa       c. 750

de Isaías

Miquéias

Naum c. 650

Sofonias

Jeremias

Hulda             c. 600

Habacuque

Daniel

Ezequiel (600-550)

Roboão 17 931 – 913
Abias 3 913 – 911
Asa 41 911 – 870
Josafá 25 873 – 848
Jeorão 8 848 – 841
Acazias 1 841
Atalia (rainha) 7 841 – 835
Joás 40 835 – 796
Amaizas 29 796 – 767
Uzias 52 792 – 740
Jotão 16 750 – 731
Acaz 16 735 – 715
Ezequias 29 729 – 686
Manassés 55 696 – 642
Amom 2 642 – 640
Josias 31 640 – 609
Jeoacaz 3 meses 609
Jeoaquim 11 608 – 598
Joaquim 3 meses 598 – 597
Zedequias 11 597 – 586

Reis de Israel Tempo de reinado  

(em anos)

Data Profetas 

Homem de Deus

(Profeta novo) c. 900

Jeú (900-850)

Elias

Eliseu         c. 850

Micaías

Certo profeta (874 – 853)

Um discípulo dos profetas (874 -853)

Amós

Jonas       c. 750

Odede

Jeroboão I 22 931 – 910
Nadabe 2 910 – 909
Baasa 24 909 – 886
Elá 2 886 – 885
Zinri 7 dias 885
Tibni 3 855 – 852
Onri 11 885 – 874
Acabe 22 874 – 853
Acazias 2 853 – 852
Jorão 12 852 – 841
Jeú 28 841 – 814
Jeoacaz 17 814 – 798
Jeoás 16 798 – 782
Jeroboão II 41 793 – 753
Zacarias 6 meses 753
Salum 1 mês 752
Menaém 10 752 – 742
Pecaías 2 742 – 740
Peca 20 752 – 732
Oséias 10 732 – 722

CONCLUSÃO

ANÁLISE DOS LIVROS QUE RELATAM O PERÍODO DE MONARQUIA:

I SAMUEL: este livro descreve a transição na liderança de Israel dos juízes para os reis. Três personagens se destacam nesse livro: Samuel, o último juiz e primeiro “profeta” (vidente); Saul, o primeiro rei no período de monarquia israelita; e Davi, o rei escolhido e ungido, mas ainda não reconhecido como sucessor de Saul. O autor de I Samuel é anônimo, mas a tradição judaica do Talmude diz que ele foi escrito por Samuel. É possível que ele tenha escrito a primeira parte do livro, mas o registro da sua morte em ISm 25:1 deixa claro que ele não escreveu o conteúdo total. Mas outros que provavelmente contribuíram para a compilação deste livro foram os profetas Natã e Gade.

II SAMUEL: este livro registra os destaques do reinado de Davi e traça a ascensão dele ao trono, seus pecados, e as terríveis conseqüências. Este livro provavelmente pode ter sido escrito com o auxílio dos profetas Natã, Gade e Ido.

I REIS: a primeira metade deste livro é um relato da vida de Salomão, sob sua liderança, Israel chega ao ápice de seu tamanho e glória. O autor é desconhecido, mas as evidências apóiam a tradição talmúdica de que fora escrito pelo profeta Jeremias.

II REIS: continua narrando o drama iniciado em I Reis: a trágica história de duas nações em rota de colisão com o cativeiro. O autor sistematicamente traça o caminho dos monarcas reinantes em Israel e Judá. Como acontece com o primeiro livro dos Reis a este também a tradição atribui sua autoria a Jeremias.

I CRÔNICAS: este livro cobre o mesmo período da história judaica descritas no livro de Samuel e Reis, mas sob outra perspectiva. Este livro não é uma mera repetição do material anterior, mas forma um editorial divino da história do povo. Apesar de o texto não identificar o autor, vários fatos parecem conceder arrimo à tradição do Talmude judaico de que o autor de Crônicas tenha sido o sacerdote Esdras.

II CRÔNICAS: este é paralelo à I e II Reis, mas simplesmente ignora Israel, o reino norte, por causa da sua falsa adoração e da recusa em reconhecer o templo de Jerusalém. Crônicas se concentra nos reis que pautaram suas vidas e reinos no exemplo deixado pelo piedoso rei Davi, dedicando maior especo a grandes reformadores como Asa, Josafé, Joás, Ezequias e Josias. O templo e a adoração promovida nele são assuntos centrais deste livro, mostrando que a adoração a Deus é importantíssima para o bom êxito da monarquia. Provavelmente como ocorre com I crônicas, seu autor foi Esdras.

BIBLIOGRAFIA

ANGUS, Joseph. História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. São Paulo: Hagnos, 2003.

Bíblia de Estudo das Profecias. Belo Horizonte e Barueri: Editora Atos e Sociedade Bíblica do Brasil, 2001.

LAWRENCE, Paul. Atlas Histórico e Geografico da Bíblia. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada: edição expandida. São Paulo: Mundo Cristão, Sociedade Bíblica do Brasil, 2007.

Teoria documentária

O Que é a hipótese documentária?

No século XVIII João Astruc publicou em Bruxelas uma obra na
qual os diversos nomes de Deus usados no Gênesis e nos seis primeiros capítulos
de Êxodo são objetos de “conjecturas” sobre “os documentos originais de que
parece ter-se aproveitado Moises”. Estas variações nos nomes de Deus sugeriam
uma distinção entre os documentos empregados. Segundo Astruc, havia
principalmente dois: o “Eloísta” e o “Javista” com algumas seções subordinadas
e não classificadas. Essa idéia foi seguida por Eichhorn, Ilgen e outros antes
do fim do século, e por um grande número de críticos do século XIX, sendo os
principais Kuenen e Wellhausen. Um grande número de literatura apareceu sobre o
assunto. A autoria mosaica passou a ser contestada e hoje é negada por muitos
críticos, enquanto que a hipótese de vários documentos usados já não é mais
limitada ao Gênesis e ao Êxodo mas também aos outros livros do Pentateuco  e posteriormente a Josué. Diversas teorias a
respeito da composição do Pentateuco se têm sucedido umas às outras. À hipótese
“documentária” seguiu-se à “fragmentária”, e quando essa última foi
universalmente desacreditada, uma teoria “suplementar tomou o seu lugar. Em
suma, não têm fim as conclusões a que se chega no terreno da crítica.

Que tipo de auxílio a
arqueologia trouxe para confrontar e neutralizar este documento?

A hipótese documentária se baseia em alguns argumentos que
facilmente se desfazem, e ainda mais frente às descobertas arqueológicas como
algumas que citaremos em breve. Uma das sustentações desta hipótese era que a
arte de escrever e da composição literária não estavam suficientemente
desenvolvidas no tempo de Moisés para que se produzisse uma obra como o
Pentateuco. A Arqueologia, entretanto, trouxe à tona as lâminas de Tel
el-Amarna, descobertas em 1887 que forneceu inscrições pertencentes
aproximadamente ao século XV a.C. Inscrições babilônicas ainda mais antigas, do
reinado de Hamurabi, mostram que a escrita e a literatura existiam no tempo de
Abraão. Séculos antes de Moisés este rei prumulgou o que conhecemos como Código
de Hamurabi, um código de leis que se tornou um dos monumentos mais notáveis da
antiguidade, até agora. Com o descorrer dos anos os achados arqueológicos se
multiplicam, as pesquisas se aprofundam e cada vez mais hipóteses fúteis como
estas perdem sua credibilidade.

Quais são as
conseqüências de aderir a hipótese documentária?

Ao se elaborar uma teoria desse porte, as implicações da
mesma vão muito além de conjecturas, esclarecimentos e provas da verdade. As
conseqüências de se dar credibilidade a algo assim dizem respeito à duvida
relacionada a origem. O que verdadeiramente está em jogo é a origem
sobrenatural da Lei. A investigação literária se torna apenas um disfarce ao
ataque à origem divina dessa dispensação. Pois se o nome de Moisés fosse usado
ficticiamente na Lei, o que corre perigo é a crença na sua inspiração.

Fonte: ANGUS, Joseph. História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. São Paulo: Hagnos, 2003

Resumo da prova de História de Israel – 20/09/2010

Conteúdo: Patriarcas; Egito; Deserto; Conquista e Juízes

Os Patriarcas

A era patriarcal em estudo abrange a chamada de Abraão(Gn12) ao êxodo do Egito, um período de  aproximadamente 630 anos. A palavra chave deste período é PROMESSA.

Propósitos:

1) Estabelecer a fé em um só Deus – Monoteísmo

2) Formar uma Nação-Sacerdote – Israel seria o Sacerdote de Deus às nações do mundo – Gn12:3 (Teocracia).

3) Formar e preparar a descendência do Messias na nação nação onde Ele haveria de nascer (Pessoas chaves para o nascimento de Jesus foram Abraão, Judá e Davi).

4) Possuir a terra de Canaã, cumprindo assim a promessa feita a Abraão.

Assuntos principais:

  • Os personagens – Abraão, Isaque e Jacó;
  • As regiões das peregrinações – Mesopotâmia, Egito e Canaã;
  • A geografia dos patriarcas
  • Os costumes sociais e religiosos da época – ex. sacrificar o filho era habitual.

A Mesopotâmia viveu seu período mais importante em 1900 a.C, no período em que Abraão viveu. Neste período já haviam cidades formadas aqui, mas se constituíam como cidades-estado e não como monarquias. Haviam também clãs que peregrinavam no território: os beduínos (era o caso dos patriarcas). Os clãs burgueses se caracterizavam por estabelecerem-se nas cidades-estado . Os clãs viviam de três coisas: comércio (ex.: ismaelitas), criação de gado e agricultura. Os patriarcas se especializaram na comercialização e no pastoreio (os judeus até hoje se destacam no comércio). A idéia de Reino começou a se desenvolver com Ninrode em Gn10:8, o primeiro rei da história. Depois que Abraão saiu da Mesopotâmia, este território só volta à estudo no período do exílio (Esdras e Neemias).

Quando Abraão recebe a chamada de Deus, ele já não estava em Ur dos Caldeus, sua cidade natal, mas em Harã (Gn11:28ss).

O Egito era a potência mundial neste período. Em contraste à Mesopotâmia, o Egito já tinha mil anos de organização monárquica, sistema de escrita avançada, o papiro e habilidade em todas as ciências. Abraão teve uma relação complicada com Faraó (Gn12: 10-20).

Canaã não recebeu este nome por causa do neto de Noé, e sim porque os gregos faziam um grande comércio com os habitantes desta região, que eram grandes produtores de púrpura, em grego, chamada de Canaã. Este território foi povoado pelos filhos de Cam, irmão de Sem. Ao tomar posse da Terra prometida, Israel desapossou os seus próprios primos. Chamada também de Vale do Jordão, Palestina e Israel, Canaã era dividida em quatro regiões principais: A Planície marítima (Gaza); A região montanhosa (Jerusalém e Hebron); O Vale do Jordão (Nazaré e Jericó, culminando com o Mar Morto) e o Platô Oriental (Gileade e o Monte Hermon).

O Egito e o Êxodo

Levantar-se um novo Faraó que não conhecia José diz respeito a uma nova dinastia que começou no Egito. Israel era consideraso vulgo no Egito e habitavam em Gósen

A emancipação de Israel:

  • Data do Êxodo: c. 1450 a.C. (1Rs 6:1)
  • Narrativa Bíblica (do Egito ao Mt. Sinai – Êx 1 – 18)

1. Acampamento ao pé do Sinai (Êx 19; Nm 10)

2. Peregrinações pelo deserto (Nm 10 – 21)

3. Acampamento antes de Canaã (Nm 22; Dt 34)

Do Egito ao Sinai   –   3 meses

Ao pé do Sinai   –  11 meses

O Sinai representa a criação da Religião Judaica.

Para se constituir uma nação é preciso: o povo (os descendentes de Jacó saídos do Egito); a religião (estabelecida no Sinai); a legislação (A Lei de Moisés) e o território (a ser conquistado – Canaã).

Fatos importantes:

· As Pragas – Êx 7 – 11

· A Partida do Egito – Êx 11:51

· A instituição da Páscoa – Êx 12

· Fundação da Nação de Israel – Êx 13

· A Promulgação da Lei – Êx 20

· A construção do Tabernáculo – Êx 25 – 31

Fatores importantes no período do deserto, que definiram o perfil da nação:

  • O Pacto. 1ª aliança com Israel, para que fosse uma nação santa (Êx 19: 5,6).
  • O Decálogo. A Constituição, sobre a qual se baseia a Lei mosaica, focando leis espirituais, morais e civis (Êx 20).
  • O Santuário. Centro de culto da nação – o Tabernáculo, tinha o objetivo de unificar a nação (Êx 25:1-9)
  • O Sacerdócio. O sacerdócio passa a ser exercido exclusivamente pela família de Arão (Êx 28:1,2)
  • As oferendas. Regulamentação das ofertas a serem oferecidas no Tabernáculo.

Tipos de ofertas – Holocausto (Lv 1); Ofertas pacíficas (Lv 3; Lv 7:11-21); Ofertas pelo pecado (Lv 4); Oferta pela transgressão (Lv 7:1-10); Oferta de Manjares (Lv 2); As Festas (Lv 23).

Período das conquistas

Palavra chave: CONQUISTA

603.550 é o número do 1º senso, geração que morreu no deserto. (Nm 1:46)

601.730 é o número do 2º senso, geração de Josué que recebeu o Deuteronômio e conquistou a terra de Canaã. (Nm 26:51)

Três grandes erros no período de Josué:

1º O pecado de Acã (Js 7:1);

2º A derrota para Ai (Js 7:2-26);

3º Precipitada aliança com os gibeonitas (Js 9).

Dois complicadores no período das conquistas:

1º A permanência de inimigos no território;

2º O território não foi totalmente conquistado.

Período dos Juízes

Palavra chave: APOSTASIA (Jz 21:25)

Este período abrange os livros de Juízes, Rute, e a primeira parte de I Samuel.

Os juízes não tinham características de líderes espirituais, Débora, entretanto se destacava neste aspecto (Jz 4:4,5). Samuel exerceu tríplice função – Juíz (Rei) (ISm 7:15-17), profeta (ISm 8) e sacerdote (ISm 7:2-10) – sendo isto um tipo de Cristo.

O livro de Rute liga o período dos juízes ao Rei Davi.